Depósitos de metano da Sibéria mais instáveis do que o previsto pelo IPCC

Pesquisadores russos e suecos identificaram que os solos congelados do oceano, na zona costeira do leste da Sibéria, tem se degradado nas últimas três décadas a uma taxa média de 14 cm por ano. Com essa velocidade, a cobertura dos solos pode se desestabilizar e permitir a liberação das reservas de metano – CH4 -, um potente gás de efeito estufa, localizadas no substrato do oceano da Sibéria.

A possibilidade do aquecimento global interferir nas reservas de metano da região do Ártico é um tema de intenso debate científico. No caso do oceano na zona costeira do leste da Sibéria, os depósitos de metano se encontram abaixo de uma camada de solo (permafrost em inglês) que permanece congelado durante o ano todo. Essa camada funciona como uma tampa, impedindo que o gás escape. Fatores como o aumento da temperatura das águas podem levar à degradação do solo e à abertura de brechas por onde o gás escaparia para a atmosfera.

Essa possibilidade foi considerada no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC na sigla em inglês. Mas os modelos utilizados sugeriam que a degradação dos solos oceânicos da zona costeira do leste da Sibéria não passaria de poucos metros até o fim deste século, e o processo de formação de fraturas que permitissem o vazamento do metano levaria milhares de anos.

O estudo realizado coletou amostras do fundo do oceano, analisando suas características físicas e químicas. Para identificar a evolução histórica do nível de degradação, incluiu-se coletas nos mesmos pontos de um estudo semelhante realizado entre 1982 e 1983, para comparação das amostras. Segundo os pesquisadores, a região tem sido fortemente impactada pelo aquecimento global, dobrando-se as taxas de erosão costeira dobraram nos últimos sessenta anos.

Os resultados mostraram que a degradação do solo congelado do oceano ocorre de modo bem mais acelerado do que o previsto pelo IPCC, envolvendo um conjunto complexo de processos descritos pelo estudo. Em algumas regiões da zona costeira do leste da Sibéria, a perda dos solos congelados alcançou a profundidade dos depósitos de metano, permitindo a liberação do gás.

Levantamentos anteriores realizados na região identificaram a presença de bolhas de metano provenientes dos depósitos do oceano. Os pesquisadores sugerem que a degradação de algumas dezenas de metros dos solos congelados dos oceanos podem ocasionar a liberação de metano em curto prazo. Os resultados poderão aprimorar os modelos climáticos e as projeções de aquecimento global no futuro.

Mais informações: Current rates and mechanisms of subsea permafrost degradation in the East Siberian Arctic Shelf
Fonte: Tomsk Polytechnic University
Imagem: TPU/SWERUS-3 expedition in the Arctic