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Depleção de aquíferos emite CO2

Uma importante fonte de emissões de gases de efeito estufa tem sido ignorada por cientistas e políticos, afirma estudo de pesquisadores dos Estados Unidos. Dióxido de carbono – CO2 – é emitido para a atmosfera pela depleção dos reservatórios de água subterrânea devido ao consumo da água.

Segundo os pesquisadores, existe um fluxo de carbono entre a atmosfera e a superfície terrestre que é mediado pela água. A água da chuva contém CO2 na mesma quantidade do que a atmosfera. Ao cair e se infiltrar na superfície, a água dissolve e leva consigo o carbono armazenado nos solos, que foi produzido através da degradação de matéria orgânica pelos micróbios.

Os níveis de carbono do solo são até 100 vezes maiores do que os níveis da atmosfera. Dessa forma, a quantidade de carbono da água sobe quando ela passa pelos solos e sedimentos, indo se acumular em reservatórios entre a rocha subterrânea, formando os aquíferos. Ali, a água rica em carbono pode permanecer por centenas a milhares de anos antes de drenar para os rios ou os oceanos. 

Contudo, a atividade humana interfere nesse processo natural por meio da extração da água subterrânea. Quando se dá uma superexploração do aquífero, a capacidade de recarga de água é inferior à quantidade retirada para uso humano. Nessa situação, diz o estudo, reverte-se o fluxo natural de captura de carbono pela água, e CO2 passa a ser emitido para a atmosfera.

No estudo, os pesquisadores levantaram a taxa de depleção de aquíferos dos Estados Unidos. Atualmente, o país esgota 25 quilômetros cúbicos de águas subterrâneas, que contém cerca de 2,4 milhões de toneladas métricas  de bicarbonato. Para calcular as emissões anuais, foi assumida uma taxa conservadora de conversão de metade do bicarbonato em CO2

Os resultados indicaram que os EUA liberam por ano cerca de 1,7 milhão de toneladas de CO2 a partir da depleção das águas subterrâneas. Apesar de um valor comparável à quantidade de emissões das indústrias de alumínio, de vidro ou de produção de zinco no país, é uma quantidade pequena em comparação com os 5 bilhões de toneladas métricas provenientes da queima de combustíveis fósseis.

Os cientistas também calcularam as emissões mundiais. Estima-se que a depleção global de aquíferos alcance entre 145 e 189 quilômetros cúbicos de água por ano. As emissões anuais de CO2 ficariam entre 9,7 e 13,5 milhões de toneladas métricas.

A depleção de aquíferos nunca havia sido mencionada antes na literatura científica ou em inventários de emissão de gases de efeito estufa. Os cientistas esperam que o estudo motive o aprofundamento da investigação do papel da depleção dos aquíferos na emissão de gases de efeito estufa. E que medidas de mitigação comecem a ser desenvolvidas para a atividade.

Fonte: AGU
Mais informações: Groundwater Depletion: A Significant Unreported Source of Atmospheric Carbon Dioxide Imagem: Flickr/ IGRAC

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