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Efeito dominó da extinção de espécies

As interações ecológicas podem levar a um efeito dominó de extinção de espécies, sugeriu estudo de pesquisadoras de centros de pesquisa da Austrália e da Itália. Esse efeito pode agravar o impacto do aquecimento global sobre a biodiversidade.

O estudo ressaltou que o mundo experimenta uma extinção em massa, com perdas catastróficas de biodiversidade. Entre os principais fatores, todos se relacionam à interferência humana, como, por exemplo, a destruição de habitats ou a super-exploração de recursos naturais.

As consequências do aquecimento global e das mudanças climáticas irão se somar a esses fatores. O aumento da temperatura, a modificação da frequência e intensidade de secas e chuvas, a acidificação dos oceanos, entre outros, exercem pressão sobre as espécies.

Essas modificações podem tornar determinada localidade incompatível com os limites de tolerância das espécies animais ou de plantas que nela habitam.

Existe ainda um outro fator relevante e que alguns cientistas ainda não consideram em suas avaliações. Em geral, a negligência se dá porque as análises elegem como único critério relevante os os limites de tolerância de espécies individuais.

Mas as interações bióticas em um ecossistema criam redes complexas entre espécies. Com isso, a perda de uma espécie pode levar ao desaparecimento de outras, um processo denominado de co-extinção.

Na cadeia alimentar de um ecossistema, a uma espécie que se alimente de outra estará vulnerável se esta última se extinguir. A perda de espécies pode resultar em extinções em cascata, de baixo para cima – daquelas que constituem a base da cadeia alimentar para aquelas no topo.

De acordo com o estudo, evidência apontam que a maioria dos eventos de perda de espécies provoque co-extinções. Para avaliar a relevância do efeito dominó da co-extinção, as pesquisadoras elaboraram um modelo computacional de distribuição de espécies.

Nele, incluíram tanto os limites de tolerância individual quanto interações da cadeia alimentar de diferentes espécies. A partir daí, realizaram diversas simulações de mudanças climáticas, a fim de explorar os impactos sobre a biodiversidade.

Foram considerados dois cenários. No primeiro, considerou-se apenas os limites individuais de tolerância à temperatura das diferentes espécies. No segundo, inclui-se também a possibilidade de co-extinção, levando-se em conta as interações entre as espécies nos ecossistemas.

Dessa forma, comparando os dois cenários, o estudo conseguiu dimensionar o impacto da co-extinção na perda de biodiversidade terrestre.

Abordagens que se baseiam somente na tolerância individual das espécies subestimam o risco de extinção. Nas simulações realizadas pelo estudo, a inclusão do processo de co-extinção elevou em até 10 vezes a perda de biodiversidade.

Apesar das limitações do modelo, os resultados indicam que o aquecimento global exercerá, se continuar no mesmo ritmo, uma pressão cada vez maior sobre as espécies. O efeito dominó da co-extinção tenderá a intensificar esse impacto.

Segundo uma das pesquisadoras, as práticas e as políticas de conservação não devem se limitar às espécies individuais. Elas precisam considerar a rede de interação das espécies. Quando uma delas se extingue, os desdobramentos são bem maiores do que riscar o nome de uma lista.

Fonte: EU Science Hub
Mais informações: Strona, G., & Bradshaw, C. J. (2018). Co-extinctions annihilate planetary life during extreme environmental changeScientific reports8(1), 16724.
Imagem: Pixabay

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