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Ecossistemas sob o risco de profunda alteração

Os ecossistemas terrestres poderão sofrer alterações significativas como consequência do aquecimento global e das mudanças climáticas, alertou estudo de um time internacional de cientistas. A biosfera do planeta corre o risco de passar por profundas alterações.

Os ecossistemas terrestres irão responder às modificações ambientais – como, por exemplo, na temperatura ou na precipitação – introduzidas pelo aquecimento do sistema climático. Mas, segundo o estudo, a projeção dos impactos não pode ser apropriadamente avaliada por meio de modelos computacionais de ecossistemas, nem por observações diretas.

A fim de analisar o potencial de mudança nos ecossistema terrestres, os cientistas recorreram ao passado. Eles reconstruíram as transformações nos ecossistemas ocorridas na transição da última era glacial, há cerca de 21.000 anos atrás, para o atual período interglacial.

Durante a transição, o aquecimento do sistema climático foi da mesma magnitude do que o aquecimento projetado nos próximos 100 a 150 anos em um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa. A temperatura média global subiu entre 4 e 7 graus Celsius ao longo de milhares de anos.

O estudo se baseou na revisão da literatura científica. Os cientistas analisaram registros paleoecológicos – como pólen e fósseis de plantas – de 594 locais em todo o mundo, com exceção da Antártica. Os registros indicavam a composição vegetal dos ecossistemas ao longo de todo período.

Também foram utilizados dados paleoclimáticos, a partir dos quais foi possível identificar a evolução do aumento da temperatura. Por meio da comparação das duas fontes de informação, inferiu-se como a vegetação e os ecossistemas regiram à mudança climática.

A partir daí, os cientistas projetaram o potencial de transformação dos ecossistemas terrestres para o cenário de aquecimento mais elevado. A conclusão do estudo foi de que o potencial de alteração da vegetação é mais abrangente e pertubador do que o suposto anteriormente.

As transformações registradas entre o fim da era glacial e o atual período interglacial indicam que os ecossistemas terrestres são extremamente sensíveis ao aumento da temperatura média global.

Estimou-se em 60% a probabilidade de alteração em larga escala dos ecossistemas terrestre no cenário de maior aquecimento global. No cenário em que as metas do acordo climático de Paris forem alcançadas, a probabilidade seria inferior a 45%.

Os resultados sugeriram também que os ecossistemas terrestres em todo o mundo estão sob o risco de atravesssar profundas transformações em sua composição e estrutura, caso o aquecimento continue a avançar. Isso traria efeitos adversos como a interrupção dos serviços ecossistêmicos e redução da biodiversidade.

Há, porém, um agravante. O aumento da temperatura entre o fim da última era do gelo e o presente se estendeu ao longo de milhares de anos. O aquecimento projetado no cenário de altas emissões de gases de efeito estufa ocorreria em um ou dois séculos, uma velocidade muitas vezes superior.

Fonte: Universidade de Michigan
Imagem: Unsplash/ Dhruva Reddy

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