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É preciso investir mais para atender o acordo de Paris

Alcançar as metas do acordo climático de Paris, limitando o aquecimento global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais, exigirá uma mudança radical nos investimentos do setor de energia, concluiu estudo de um time internacional de pesquisadores.

A queima de combustíveis fósseis – carvão, gás natural e óleo – constitui a base do sistema energético mundial. Como consequência, o setor energético constitui a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa. Portanto, limitar o aquecimento global exigiria reestruturar o sistema energético mundial.

Em vez dos combustíveis fósseis, o setor precisaria se sustentar em uma nova base, abrangendo outras fontes de energia, como, por exemplo, usinas eólicas e solares, e a eficiência energética. Na prática, significaria atravessar uma reestruturação sem precedentes.

Segundo os pesquisadores, o estudo teve por objetivo analisar detalhadamente as necessidades de investimento no setor de energia, com vistas a atender as metas do acordo de Paris. Foram utilizados um conjunto de modelos computacionais, integrando aspectos sociais, econômicos e climáticos.

O estudo simulou cenários de investimentos no setor energético, considerando as metas de aumento da temperatura média global de no máximo 1,5°C e 2°C. 

As estimativas indicaram que a reestruturação do setor exigiria um aumento modesto nos investimentos totais. Todavia, demandaria transformar profundamente o perfil do investimento atual, passando a se concentrar em fontes renováveis e medidas de eficiência energética.

Ao analisar os compromissos assumidos pelos países nas Contribuições Nacionalmente Determinadas – CNDs -, os pesquisadores verificaram que o perfil de investimentos no setor energético ainda são insuficientes.

Enquanto fonte energética, os combustíveis fósseis ainda possuem prioridade no setor energético mundial.

Para atingir as metas do acordo de Paris, as projeções dos modelos apontaram que até 2025 os investimentos em energia de baixo carbono precisariam ultrapassar os investimentos em combustíveis fósseis. A partir, teriam de se tornar majoritárias.

Para manter a elevação da temperatura global entre 1,5 e 2 ° C, os investimentos em energia de baixo carbono e eficiência energética provavelmente precisarão ultrapassar os investimentos em combustíveis fósseis já em 2025 e depois crescer muito mais.

O estudo calculou que o cumprimento das CNDs pelos países exigirá investimentos no setor energético de US$ 130 bilhões até 2030. Para alcançar a meta de 2°C, adicionais US$ 320 bilhões seriam necessários, enquanto que, para a meta de 1,5°C, o investimento adicional até 2030 seria de US$ 480 bilhões. O planejamento dos países está muito aquém do objetivo do acordo.

Em ambos os cenários, o atendimento da meta exigiria uma forte redução nos investimentos em novos projetos de extração e geração de energia a partir de combustíveis fósseis. 

Mas o estudo identificou também que a mitigação do aquecimento global traria impactos sobre o investimento em outras áreas. Em especial, os investimentos na expansão do acesso à energia e água potável, na melhoria da segurança alimentar, ou na educação, poderia se ver significativamente reduzidos.

Os pesquisadores esperam que o estudo auxilie na formulação de políticas climáticas mais ambiciosas. E contribua também para a análise de risco de investimentos de instituições do setor financeiro que trabalham na área de energia.

Apesar de consistirem em um passo importante, as Contribuições Nacionalmente Determinadas serão insuficientes para o cumprimento do acordo climático de Paris. É preciso investir mais em energia de baixo carbono, alertaram os pesquisadores.

Fonte: IIASA
Imagem: Unsplash/ Zbynek Burival

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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