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É possível limitar o aquecimento global?

É possível limitar o aquecimento global e evitar maiores impactos? O mundo parece que não está agindo nesse sentido, pelo menos nas últimas décadas. É o que afirma o professor Kevin Anderson, da Universidade de Manchester, no Reino Unido.

Em palestra realizada na Sociedade do Clima de Oxford, registrada no vídeo acima (em inglês), Kevin introduz a palestra com a seguinte questão: o que aconteceria se os 10% mais ricos fossem obrigados a reduzir sua pegada de carbono para os níveis médios de um cidadão europeu?

Isso representaria uma queda de 30% nas emissões globais de gases de efeito estufa.

Reconhecido por sua postura crítica, o professor ressalta falta de ação eficazes por parte de tratados, governos e instituições ligadas às mudanças climáticas – inclusive membros da academia. Esse conjunto de atores propõem somente uma pequena melhoria no sistema atual.

Mas a velocidade do aquecimento global em curso exigirá uma profunda mudança do sistema, para se cumprir objetivo de limitar o aquecimento global e evitar um cenário de impactos significativos. Atingir as metas do acordo climático de Paris se tornou uma questão de racionamento no uso de recursos.

Segundo Kevin, pelo menos desde o primeiro relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC -, em 1990, o aquecimento global e suas implicações eram conhecidas. Desde então, as emissões continuaram a subir vertiginosamente, demonstrando o fracasso das iniciativas internacionais e nacionais, em todas as esferas.

Muito do que se propôs até agora serviu apenas como fachada para deixar tudo como está. Em particular, Kevin cita os modelos integrados econômicos como exemplo de estudos acadêmicos inadequados. Em consequência, cada vez mais cresce a lacuna entre a proposta de mitigar o aquecimento e as medidas concretas para que isso se realize.

A maior parte dos cenários de mitigação do aquecimento global supõe que tecnologias de sequestro de carbono serão implementadas globalmente, em larga escala, no futuro. De certa maneira, as propostas atuais de limitar o aquecimento se baseiam na crença de uma solução tecnológica quase milagrosa no futuro.

O professor ressaltou a necessidade de reduzir de imediato as emissões de gases de efeito estufa. Considerando que 70% das emissões estão associadas aos 20% mais ricos, a melhor estratégia se concentraria nessa faixa da população.

A estratégia incluiria a redução do uso de energia em curto prazo dos maiores consumidores da sociedade. Em médio prazo, o padrão de eficiência dos equipamentos que utilizam energia poderia ser elevado. E de médio a longo prazo, a reestruturação do setor energético por meio da implantação de fontes renováveis e da ampla eletrificação.

É uma missão impossível. Ou quase.

Fonte: Sociedade do Clima de Oxford

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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