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Dietas de baixas emissões e mais saudáveis

Limitar o aquecimento global exigirá uma profunda alteração nas sociedades e nos hábitos das pessoas. Uma delas diz respeito à dieta do dia a dia. A fim de evitar a intensificação dos impactos do aquecimento global, será necessário uma na alimentação.

Isso porque o setor de alimentos representa um grande emissor de gases de efeito estufa. Estimativas sugerem que ele responda por cerca de 14,5% das emissões globais.

Em grande medida, a quantidade de gases emitidos está relacionada com o tipo de alimento produzido. Nesse sentido, uma alteração das dietas atuais poderiam provocar quedas das emissões do setor.

Estudo de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos comparou os impactos climáticos e nutricionais dos hábitos alimentares atuais. Eles utilizaram dados de uma pesquisa realizada no país entre 2005 e 2010 com aproximadamente 16 mil pessoas.

A partir do tipo de alimento consumido, o estudo calculou a pegada de carbono de cada dieta individual – o total de gases de efeito estufa emitido para cada 1.000 calorias consumidas. Em seguida, as dietas foram analisadas em termos da qualidade para a saúde, levando-se em conta suas características nutricionais.

Aspectos demográficos como idade, sexo, ou renda também foram considerados na avaliação. Os resultados individuais foram agrupados em cinco grupos, correspondendo a diferentes faixas de pegada de carbono – de baixa a alta.

As dietas individuais da faixa de alta pegada de carbono responderam por 45% das emissões totais de gases de efeito estufa. Foram cinco vezes maiores do que as dietas da faixa de baixa pegada de carbono, que representaram 8% do total de emissões.

Gráfico das emissões de gases de efeito estufa por tipo de dieta nos EUA
O gráfico apresenta a quantidade de CO2 equivalente emitido para cada 1.000 cal de cada dieta analisada. À esquerda, o grupo de baixa pegada de carbono. À direita, o grupo de alta pegada. Fonte: figura 2 do estudo.

Por outro lado, a qualidade para a saúde das dietas de baixa pegada de carbono se mostrou bem superior às dietas de alta pegada de carbono. As primeiras consumiam menos carne vermelha, leites e derivados, e mais frutas, grãos integrais, frutos do mar e proteínas vegetais.

As dietas de maior impacto climático incluíam se baseavam em mais proteínas totais e proteína animal.

As dietas mais saudáveis e de menor pegada de carbono exibiram maior probabilidade de serem consumidas por mulheres. O inverso ocorreu para as dietas menos saudáveis e de maior pegada de carbono, com maior chance de serem consumidas por homens.

Apesar de mais saudáveis, as dietas de baixa pegada de carbono também apresentaram limitações nutricionais. Entre elas, a utilização de açúcares e grãos refinados e a menor quantidade de importantes nutrientes como ferro, cálcio e vitamina D.

O fato de que os padrões alimentares com as menores emissões apresentarem melhor qualidade indica a possibilidade de um ganho em ambos os lados. Os pesquisadores ressaltaram que políticas alimentares e outras podem combinar metas de ingestão de dietas saudáveis com a redução das emissões ligadas aos alimentos.

Mais informações: Donald Rose, Martin C Heller, Amelia M Willits-Smith, Robert J Meyer; Carbon footprint of self-selected US diets: nutritional, demographic, and behavioral correlatesThe American Journal of Clinical Nutrition.
Imagem: Unsplash/ NeONBRAND

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