Press "Enter" to skip to content

Detalhando o papel do metano no efeito estufa

A absorção de radiação solar pelo metano – CH4 -, considerado um potente gás de efeito estufa, varia de acordo com a região geográfica, identificou estudo de cientistas de universidades dos Estados Unidos.

Os gases do efeito estufa são as moléculas responsáveis pela absorção e reemissão de energia na atmosfera. Segundo o estudo, o principal papel desses gases é intensificar o efeito estufa atmosférico por meio da absorção e reemissão de radiação infravermelha emitida por outros componentes do sistema climático.

Todavia, os gases de efeito estufa também apresentam um papel secundário. Tanto o metano quanto o dióxido de carbono – CO2 – e, em menor medida, o óxido nitroso – N2O – são capazes de absorver a luz solar. Nesse caso, eles contribuem para aquecer a atmosfera e diminuem a quantidade de radiação absorvida por outros elementos do sistema climático, podendo ter implicações sobre o efeito estufa.

Dessa forma, a fim de identificar a influência das concentrações atmosféricas desses gases sobre o efeito estufa, é necessário calcular a diferença entre o total de radiação infravermelha e o total de radiação solar absorvido pelos gases.

O cálculo para o CO2 era bem conhecido. Estima-se que a absorção de luz solar pelo CO2 atmosférico cause efeitos contrários à absorção da radiação infravermelha, reduzindo o efeito estufa provocado pelo gás em cerca de 6%.

Mas a mesma situação não se verificava com o metano. A investigação em laboratório da absorção de luz solar pelo metano sofre de algumas limitações. Com isso, apenas recentemente a comunidade científica aprimorou as estimativas dos fluxos de energia do metano na atmosfera, incluindo os efeitos da radiação solar.

O objetivo do estudo foi detalhar ainda mais a absorção de luz solar pelo metano atmosférico. Para tanto, os cientistas se basearam em observações de Júpiter e de Titã, uma lua de Saturno. Ambos os corpos celestes apresentam concentrações de metano pelo menos mil vezes maiores do que as da Terra.

Dessa forma, características de absorção da luz solar que são muito fracas para serem detectadas em laboratório puderam ser observadas por medições da atmosfera de Júpiter e de Titã. A partir daí, o estudo estabeleceu a faixa de absorção de radiação solar pelo metano. Utilizando-a em um modelo climático, foi possível estimar os efeitos radiativos do metano na atmosfera terrestre.

Os cientistas puderam realizar estimativas da absorção de luz solar pelo metano atmosférico, considerando aspectos sazonais e em uma escala espacial detalhada. Os resultados indicaram uma grande variabilidade regional, em geral associada com a presença de nuvens e de superfícies terrestres mais brilhantes.

A estimativa do estudo sugeriu que, em comparação com a média global, a quantidade de energia absorvida pela atmosfera pelo metano é 10 vezes maior em regiões desérticas de baixas latitudes, como, por exemplo, o Saara e a Península Arábica. Nelas, grande parte da luz solar que atinge a superfície terrestre é refletida, aumentando, com isso, a absorção pelo metano atmosférico.

Outra variação estaria associada à presença de nuvens. A absorção de energia pelo metano em regiões dominadas pelas nuvens seria quase três vezes maior do que a média global. Os locais mais importantes seriam áreas oceânicas a oeste da África do Sul, da América do Norte e do Sul, e os sistemas de nuvens na Zona de Convergência Intertropical.

Além disso, os resultados corroboraram os cálculos anteriores. No caso do metano, a absorção de radiação solar leva à consequências que reforçam a absorção de radiação infravermelha, provocando uma intensificação do efeito estufa causado pelo gás.

O detalhe espacial e sazonal apresentado pelo estudo pode contribuir para a compreensão de vulnerabilidades regionais e para a definição de estratégias de mitigação das emissões.

Fonte: Universidade de Berkeley
Mais informações: Large regional shortwave forcing by anthropogenic methane informed by Jovian observations
Imagem: Berkeley Lab – mapa animado indica a absorção de luz solar pelo metano atmosférico ao longo do ano. Regiões desérticas ou com grande quantidade de nuvens apresentam maiores níveis de absorção

%d blogueiros gostam disto: