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Desmatamento reduz o sequestro de carbono

As projeções do potencial de sequestro de carbono podem estar substancialmente superestimadas, afirmou estudo de pesquisadores de universidades da Alemanha, da França e do Reino Unido. As projeções não consideram apropriadamente os impactos da mudança no uso e ocupação dos solos e do desmatamento.

Os ecossistemas terrestres – os solos e a vegetação – fazem parte do ciclo de carbono, tanto liberando quanto absorvendo da atmosfera gases de efeito estufa. Estima-se que a absorção de dióxido de carbono – CO2 – tem sido maior do que a quantidade liberada.

Dessa forma, os ecossistemas terrestres contribuíram para mitigar o aquecimento global, ao absorver parte do CO2 liberado pelas atividades humanas, como, por exemplo, na queima de combustíveis fósseis.

Segundo o estudo, a produtividade e os estoques de carbono dos ecossistemas terrestres sofrem a influência do clima. O carbono armazenado tende a crescer com o aumento das concentrações atmosféricas de CO2 e a diminuir com o aumento da temperatura.

Todavia, não é apenas o clima que afeta a troca de carbono entre os ecossistema terrestres e a atmosfera. Ações humanas ligadas à alteração no uso e ocupação dos solos e ao desmatamento também causam grande interferência.

Diversas pesquisas estimaram os impactos do uso e alteração dos solos, no passado e no presente, sobre os fluxos de carbono entre os ecossistema terrestres e a atmosfera. Nos últimos 150 anos, estima-se que as alterações na vegetação foram responsáveis por um terço do total cumulativo das emissões de CO2.

Mas há relativamente poucas avaliações a respeito dos impactos futuros no ciclo de carbono terrestre. O objetivo do estudo foi preencher essa lacuna. Através de um modelo climático, e considerando um cenário de altas emissões, os pesquisadores elaboraram projeções com e sem a influência da alteração no uso e ocupação dos solos.

Ao comparar as duas possibilidades, foi possível explorar a influência futura da alteração no uso e ocupação dos solos sobre o ciclo de carbono dos ecossistemas terrestre.

Os resultados mostraram que a capacidade de sequestro de carbono da atmosfera pela biosfera terrestre pode ser severamente limitada por futuras alterações no uso e ocupação dos solos e pelo desmatamento. Os impactos incluíram um aumento das emissões e consequente perda no estoque de carbono, bem como taxas maiores de rotatividade.

O cenário sob a influência das alterações no uso e ocupação dos solos apresentou uma quantidade entre 20% a 25% menor no estoque dos ecossistemas terrestres até 2100. As principais interferências ocorreriam em regiões como a América do Sul e o sul da África, em especial nas zonas localizadas às margens das florestas tropicais.

A bacia amazônica consistiria em uma área de particular vulnerabilidade. Além da interferência das alterações no uso e ocupação dos solos e do desmatamento, outros fatores podem reduzir ainda mais – ou mesmo reverter – a capacidade de sequestro de carbono da floresta.

Mais informações: Potential strong contribution of future anthropogenic land-use and land-cover change to the terrestrial carbon cycle
Imagem: Sociobio Amazonia/ Frank Krämer

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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