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Avaliando como o desmatamento contribui para o aquecimento global

O desmatamento das florestas é uma das fontes de emissão de gases de efeito estufa, em especial o dióxido de carbono – CO2 -, para a atmosfera. Mas um time internacional de cientistas identificou outra forma pela qual o desmatamento contribui para o aquecimento global.

De acordo com o estudo, o desmate promove a emissão de CO2 através da queima e da decomposição de material vegetal, levando a maiores concentrações atmosféricas. Assim, contribui para o aquecimento do sistema climático, porque maiores concentrações de gases de efeito estufa fazem a atmosfera reter mais energia.

Ao mesmo tempo, as florestas possuem pequeno albedo, absorvendo uma quantidade maior de radiação solar do que áreas ocupadas por pastagens ou cultivos. O desmate leva portanto a um aumento do albedo da superfície; uma quantidade maior de luz solar é refletida de volta ao espaço, diminuindo a quantidade de energia absorvida e contribuindo para o resfriamento do sistema climático.

Em geral, o desmatamento de florestas em regiões tropicais contribuirá para o aquecimento do sistema climático, uma vez que as emissões de CO2 superam as alterações no albedo. Por outro lado, aquelas localizadas em regiões de maior latitude levam a um resfriamento, pois a alteração no albedo supera as emissões. Calculando-se o impacto global do desmatamento das florestas, o resultado é uma contribuição para o aquecimento.

Há, todavia, uma outra forma como as florestas interagem com a atmosfera. A vegetação emite também compostos orgânicos voláteis – um tipo de gás – que, na atmosfera, interage com outros elementos químicos e afeta a concentração de gases de efeito estufa e de aerossóis. O impacto do desmatamento sobre a emissão de compostos orgânicos voláteis havia sido pouco estudado.

A partir de um modelo computacional, os cientistas buscaram reproduzir os processos biogeoquímicos envolvidos na interação entre as florestas e a atmosfera. Eles simularam situações de desmatamento global, em regiões temperadas e em regiões tropicais. Foi calculado o impacto do desmatamento sobre a emissão de compostos orgânicos voláteis, bem como sobre o albedo e a emissão de gases de efeito estufa.

Os resultados confirmaram a hipótese de que o futuro desmatamento em zonas tropicais deverá contribuir para o aquecimento global. Também foi sugerido que a interferência do desmatamento na emissão de compostos orgânicos voláteis pelas florestas contribui para o aquecimento global, algo que não tinha sido considerado em projeções de modelos climáticos anteriores.

Os cientistas apontam para as incertezas relacionadas à contribuição do desmatamento para o aquecimento global. Entre elas, o impacto de alterações no regime de incêndios, na emissão ou sequestro de CO2, ou nos fluxos de compostos orgânicos voláteis. Mas os resultados do estudo reforçam a importância de frear o desmatamento das florestas tropicais.

Fonte: Universidade de Leeds
Mais informações: Impact on short-lived climate forcers increases projected warming due to deforestation
Imagem: Figura 3 do estudo – gráficos da alteração da temperatura média global devido ao desmatamento em 20 anos (a) e em 100 anos (b). A barra vermelha indica os resultados quando os compostos orgânicos voláteis também são avaliados.

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