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Descoberta uma nova causa da era do gelo

Os ciclos das glaciações podem sofrer a influência de um fenômeno até então não considerado pela ciência do clima, sugere estudo de um time internacional de cientistas. Eles identificaram um novo fator que contribui para o início e a retração das eras do gelo.

A principal hipótese para a ocorrência das glaciações se baseia nos ciclos Milankovitch. Tanto a geometria da órbita do planeta ao redor do sol, quanto a obliquidade e a precessão do eixo terrestre, sofrem pequenas variações periódicas ao longo de milhares.

Ao conjunto dessas variações é dado o nome de ciclo de Milankovitch. O principal efeito das variações diz respeito à distribuição da luz solar que incide em diferentes regiões do planeta. Em determinados momentos do ciclo, a quantidade de luz solar durante o verão do Hemisfério Norte, em especial do círculo polar, reduz para o mínimo.

Com isso, teriam início as glaciações. O término do período glacial se daria no momento do ciclo de Milankovitch quando a quantidade de luz solar durante o verão do Hemisfério Norte atingiria o valor máximo.

Dessa forma, a teoria estabelecia que as os ciclos glaciais estariam ligados à mudanças na insolação das altas latitudes do Hemisfério Norte.

Mas o estudo identificou um fator adicional como causa das eras do gelo: flutuações no fenômeno das monções do verão asiático, nas zonas tropicais e subtropicais.

Os cientistas desenvolveram uma técnica para análise quantitativa do composto químico berílio-10, presente em depósitos de solos na região centro-norte da China. Constituídos por camadas formadas nos últimos 550 mil anos, esses depósitos representam arquivos naturais do sistema climático no passado.

A concentração de berílio-10 nos solos é um indicador da quantidade de precipitação. Presente como uma partícula de poeira na atmosfera, o berílio-10 se deposita na superfície quando chove. Assim, uma quantidade maior de chuva eleva a quantidade do composto no solo, e vice-versa.

Os dados obtidos a partir dos depósitos de solo indicaram que a intensidade das monções asiáticas variaram em sincronia com os ciclos de Milankovitch. E ao contrário do que ocorre nos pólos, que atravessam flutuações significativas na distribuição radiação solar, pequenas variações seria o motivo para a mudanças das monções.

A estação de monções da Ásia constitui o principal sistema anual de chuvas da Terra. Ele tem origem no contraste entre a região dos subtrópicos e trópicos ao norte do Equador, que se aquecem, e a região dos trópicos e subtrópicos ao sul, que esfriam.

Os cientistas sugeriram que a flutuação na distribuição de radiação solar provocada pelos ciclos de Milankovitch tornaria o contraste mais ou menos acentuado. Como consequência, as monções variaram entre estágios mais ou menos intensos.

Além disso, as monções exercem influência sobre correntes atmosféricas e oceânicas em escala global, inclusive sobre os oceanos Atlântico e Ártico. O estudo concluiu que as alterações das monções interfeririam nas correntes atmosféricas e oceânicas, contribuindo para o advento ou a retração das glaciações.

Com a descoberta, os cientistas esperam que os modelos climáticos possam ser aprimorados. Dessa forma, será possível melhorar a compreensão sobre o passado e a respeito do futuro aquecimento global.

Fonte: Universidade do Arizona
Imagem: Freeimages

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