Press "Enter" to skip to content

Desafios à geração de energia na Europa

O setor elétrico é um dos principais consumidores de água na União Européia. Ele responde por pelo menos 20% das captações na maioria dos países, e por cerca de 55% em toda a União Européia. A água é utilizada principalmente para o resfriamento das usinas termoelétricas. Essa captação exerce influência e é influenciada pelos outros usos sociais e pelas demandas ecológicas.

Episódios de falta de água para uso do setor elétrico europeu ocorreram recentemente, resultando em apagões, como, por exemplo, nos verões de 2003 e 2006. A crescente sensibilidade do sistema elétrico europeu à disponibilidade de água tem levantado preocupações sobre a garantia de fornecimento. Prevê-se que as mudanças climáticas irão agravar o quadro observado, em especial por causa da variação dos regimes de chuvas e do aumento das temperaturas.

Essa situação estimulou a realização de vários estudos sobre os requisitos de água tanto das plantas termoelétricas individuais quanto em nível regional. Outras análises compararam esses requisitos com a disponibilidade e temperatura da água ao longo do século XXI, considerando níveis regionais, as bacias hidrográficas ou então plantas individuais. Mas cada uma dessas abordagens apresentava limitações ao planejamento de estratégias de adaptação.

Estudo publicado na revista científica Nature Energy veio suprir essa lacuna. Um grupo de pesquisadores da Holanda investigou o conjunto de impactos futuros sobre a geração termoelétrica, em termos da disponibilidade e da temperatura da água, introduzidos tanto pelas mudanças climáticas quanto pela evolução da demanda de outros setores.

A avaliação abrangeu 818 bacias hidrográficas, incluindo um total de 1.326 plantas térmicas. Adotando um indicador de vulnerabilidade da geração termoelétrica à disponibilidade de água, os pesquisadores consideraram os anos de 2014, 2020 e 2030. Os resultados indicaram que, mesmo com a implantação de políticas de metas e com a redução do volume de captação pelo setor elétrico, o número de bacias hidrográficas onde se observa restrições à geração de energia devido ao estresse hídrico deve passar de 47 para 54 entre 2014 e 2030.

Os pesquisadores ressaltaram que vários novos projetos de geração termoelétrica estão previstos para regiões com potencial estresse hídrico. A faixa européia do mediterrâneo, estendendo-se pela Espanha, Itália, Sul da França, e Grécia, concentra a maior parte das bacias hidrográficas em que a vulnerabilidade do setor elétrico é maior. Outras bacias se localizam na Alemanha e na Polônia.

Entre as estratégias de adaptação, o estudo menciona o uso da água do mar para resfriamento de usinas termoelétricas na região do mediterrâneo. Alerta também para a necessidade de maior integração entre o gerenciamento de bacias hidrográficas em termos de uso da água e geração de energia.

Nota do ciência e clima

Vale lembrar que a projeção de cenários futuros trazem sempre incertezas, como, por exemplo, em relação às alterações das variáveis climáticas. Mas por isso não deixam de ser exercícios importantes para a discussão de estratégias e formas de gerenciamento das atividades humanas.

O estudo menciona a necessidade de integrar a gestão dos diversos usos da água em uma bacia hidrográfica. Com o avançar das mudanças climáticas, essa é uma possível tendência: o fortalecimento da bacia hidrográfica enquanto território de ações políticas e sociais. Isso porque a questão da água e da disponibilidade hídrica é um dos temas mais críticos e centrais relacionado às mudanças climáticas.

Mais informações: Climate change and the vulnerability of electricity generation to water stress in the European Union
Imagem: Pixabay/Benita

%d blogueiros gostam disto: