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Derretimento na Groenlândia é excepcional

O derretimento da calota polar da Groenlândia atingiu níveis excepcionais quando comparado com pelo menos os últimos três séculos, identificou estudo de um time de cientistas de universidades da Bélgica, dos Estados Unidos e da Holanda.

Com base nos resultados, um dos glaciologistas envolvidos no estudo sugeriu que a calota polar da Groenlândia pode estar em processo de colapso devido ao aquecimento global. É provável que o aumento extraordinário do derretimento não encontre precedentes nos últimos milhares de anos.

A perda de massa da calota polar da Groenlândia vem sendo monitorada desde o final da década de 1970. Nessa época, tiveram início as medições realizadas através de satélite. Faltavam, portanto, dados que colocassem o derretimento das últimas décadas em uma perspectiva histórica mais longa.

Para levantar informações da dinâmica nos séculos passados, os cientistas perfuraram a calota polar, extraindo amostras de núcleo de gelo de locais a mais de 2.000 metros acima do nível do mar. Com isso, eles puderam analisar camadas de gelo formadas desde o século XVII.

Os núcleos de gelo passaram por análises físicas e químicas em laboratório. Dessa forma, foi possível determinar a espessura e a idade das camadas do gelo.

Cada uma delas registrava as condições ambientais experimentadas ao longo de um ano. Camadas mais espessas estavam associadas a anos de maior derretimento. Aquelas mais finas, por sua vez, a anos de menor derretimento do gelo.

Gráfico derretimento da Groenlândia últimos 350 anos
Reconstrução do derretimento da calota polar da Groenlândia nos últimos 350 anos. Fonte: adaptado de figura 4 do estudo.

Os dados obtidos pelas análises do conjunto de amostras de núcleos de gelo foram combinados com as informações de satélite. Os cientistas então utilizaram modelos climáticos para reconstruir o derretimento entre 1675 e o presente.

Os resultados mostraram que o derretimento da calota polar da Groenlândia apresentou uma pequena elevação a partir de meados do século XIX, após o início da Revolução Industrial. No início do século XX, o derretimento se acelerou acentuadamente.

Por volta da década de 1980, verificou-se que o derretimento deu um salto abrupto, atingindo níveis extraordinariamente altos em comparação com o restante do período.

De acordo com os cientistas, as taxas de derretimento das últimas décadas estão completamente fora do padrão observados ao longo do período histórico. Desde o início da Revolução Industrial, o escoamento de água derretida aumentou 50% na Groenlândia.

Em comparação com o início do século XX, o escoamento de água atual subiu 30%.

Gráfico do aquecimento e derretimento na Groenlândia
A linha superior do gráfico traz a reconstrução da temperatura média do Ártico. A linha do meio mostra a taxa de derretimento da calota polar. E a linha inferior indica a perda de gelo marinho. Fonte: adaptado da figura 4 do estudo.

Os cientistas alertaram que o derretimento da Groenlândia não sobe de forma linear com o aumento das temperaturas. Ele ficará cada vez mais intenso, para cada grau a mais de aquecimento. Os dados indicaram que um pequeno aquecimento levou ao crescimento exponencial do derretimento nas últimas décadas.

A calota polar da Groenlândia se encontra agora em um estado mais sensível a novos aumentos na temperatura do que há 50 anos. Tendo em vista os níveis atuais de emissões de gases de efeito estufa, o derretimento sem precedentes deverá continuar ou mesmo se acelerar ainda mais.

Uma vez que a perda de massa da calota polar da Groenlândia contribui para o aumento do nível médio do mar, as consequências poderão ser significativas.

O vídeo a seguir (em inglês) apresenta a síntese do estudo.

Fonte: Instituição de Oceanografia Woods Hole
Imagem: NASA-Goddard/ Maria-José Viñas

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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