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Detalhando o derretimento de geleiras da América do sul

O aquecimento global está provocando uma retração global das geleiras continentais. Na América do Sul, as geleiras ocorrem nos Andes, desde a região tropical da Venezuela, até o sul do continente, nas regiões subpolares da Terra do Fogo.

No entanto, apesar do processo de retração se verificar também na América do Sul, a taxa de perda de massa das geleira ainda era pouco conhecida.

Um dos métodos para estimar a perda de massa se baseia em medições de campo em uma geleira específica. Os resultados obtidos são utilizados para projetar as perdas em outras geleiras da mesma região. Outro método utiliza medições a partir de satélites.

Estudo de um grupo de cientistas de universidades da Alemanha, da Argentina, da Bolívia e do Chile elaborou uma estimativa mais precisa da retração das geleiras do continente sul americano. A partir de dados de satélites, eles criaram um novo método de cálculo da elevação e da massa de geleiras individuais.

Abrangendo levantamentos realizados entre 2000 e 2015, o estudo produziu estimativas para 85% de todas as geleiras da América do Sul.

Mapa de retração das geleiras da América do Sul
Mapa da direita indica as áreas medidas por satélite. O mapa da esquerda apresenta a área total ocupada por diferentes tipos de geleira (círculos grandes), bem como a taxa de derretimento (círculos pequenos). Fonte: figura 1 do estudo.

As maiores taxas de derretimento foram registradas na Patagônia, no sul da Argentina e do Chile. A região possui cerca de 18 mil quilômetros quadrados, quase duas vezes a extensão do município de Rio Branco, no Acre.

As geleiras da Patagônia responderam por 83% da perda total de massa detectada pelas medições. Entre 2000 e 2011/2015, estimou-se que as geleiras da região perderam cerca de 17,4 gigatoneladas por ano – o equivalente a 19,3 km3.

Os resultados foram superiores às estimativas anteriores de perda de massa na Patagônia. Segundo o estudo, a retração causada pelo aquecimento levou as geleiras da região a recuarem de uma posição estável – como, por exemplo, um ponto de estreitamento de um vale.

Mas uma vez que a retração inicial aconteceu, as geleiras continuarão a diminuir até que encontrem uma nova posição de estabilidade. Dessa forma, o aquecimento provocou o derretimento inicial, e agora as geleiras experimentam um ajuste dinâmico às novas condições.

Por outro lado, no caso das geleiras das zonas tropicais da América do Sul, incluindo Colômbia, Bolívia, Equador, Peru e Venezuela, os resultados indicaram um quadro diferente. A perda de massa observada entre 2000 e 2011/2015 foi somente 10% do estimado anteriormente.

Em conjunto, as 2.900 geleiras tropicais da América do Sul perderam 0,55 gigatoneladas de massa por ano.

As geleiras localizadas na Terra do Fogo, ao sul do continente, também mostraram perdas menores do que o estimado anteriormente. Algumas áreas praticamente não experimentaram nenhuma mudança no período analisado – como os Andes no norte do Chile e da Argentina e no sul da Bolívia, ou na latitude do deserto de Atacama.

Na soma geral do continente, calculou-se que a perda de massa anual em cerca de 19,5 gigatoneladas.

Mesmo nas zonas tropicais, a retração é motivo de preocupação. Há registro de geleiras que desapareceram na América do Sul. Além disso, as geleiras contribuem para a vazão dos cursos d’água durante o período seco e quente.

Compõem, portanto, um elemento fundamental para a disponibilidade de água para o abastecimento, a irrigação ou a geração de energia. A continuidade da tendência poderá levar outras geleiras a significativamente reduzirem em todo o continente, trazendo impactos significativos.

Fonte: Universidade Friedrich-Alexander
Imagem: Unsplash/ Rachel Jarboe

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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