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Derretimento das calotas polares afetará o clima

O derretimento das calotas polares da Antártica e da Groenlândia trará consequências que vão muito além do aumento do nível médio do mar. Também serão afetados a circulação dos oceanos, a temperatura da água do mar e do ar nos continentes, apontou estudo de um grupo internacional de cientistas.

Evidência mostram que a perda de massa das calotas polares da Antártica e da Groenlândia, bem como das geleiras continentais, está acelerando em resposta ao avanço do aquecimento global. Uma das consequências do derretimento das massas de gelo se traduz no aumento do nível médio do mar.

A retração das calotas polares, em especial na Groenlândia, também pode estar ligada ao enfraquecimento observado da Circulação Meridional de Derivação do Atlântico – AMOC, na sigla em inglês.

As modificações tenderão a continuar no futuro. Segundo o estudo, as temperaturas médias globais alcançarão entre 2,6°C e 4°C acima dos níveis pré-industriais, ultrapassando as metas do acordo climático de Paris.

O crescimento da temperatura ocorrerá mesmo se os países cumprirem as promessas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Ainda é muito pouco ambicioso o compromisso dos países em limitar o aquecimento global.

Projeções sugerem que, caso o nível médio do mar suba entre 0,1 m e 0,2 m até 2050, os eventos de inundação costeira em regiões de baixa latitude podem dobrar de freqüência. Os maiores prejudicados seriam as pequenas nações insulares.

Além disso, ainda que as metas do acordo climático de Paris fossem cumpridas, estima-se um provável aumento do nível médio do mar de pelo menos 0,5 m até 2100.

Simulações anteriores não haviam representado em alta resolução a retração das calotas polares da Antártica e da Groenlândia. E tampouco consideravam apropriadamente as interações entre a perda de gelo e as dinâmicas do oceano e da atmosfera.

O estudo elaborou uma projeção mais completa, combinando dados da perda de massa recente das calotas polares com modelos computacionais da retração futura. Integraram as estimativas de derretimento a um modelo climático, de modo a explorar as implicações em processos do oceano e da atmosfera.

Em um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, as projeções indicaram um aumento de 25 centímetros somente pelo derretimento das calotas polares da Antártica e da Groenlândia. O aumento se fará sentir de modo espacialmente variável, com os maiores impactos da elevação sobre as nações insulares em regiões de média e baixa latitudes.

No entanto, as consequências não se limitaram ao aumento do nível do mar. O derretimento provocaria uma redistribuição do calor do oceano. O aquecimento da água se concentraria em camadas sub-superficiais, o que poderia acelerar o processo de derretimento das calotas polares.

Em meados do século, as simulações sugeriram que o fluxo de água do derretimento da calota polar da Groenlândia perturbaria a Circulação Meridional de Derivação do Atlântico, enfraquecendo-a ainda mais. Favoreceria temperaturas maiores no centro do Ártico, no leste do Canadá e na América Central, e temperaturas mais baixas no noroeste da Europa.

Globalmente, o estudo identificou que a inclusão de fluxos de água do derretimento das calotas polares provocaria um padrão complexo de mudanças atmosféricas e oceânicas. O resultado seria uma intensificação da variabilidade climática interanual em algumas áreas, podendo fazer eventos extremos mais frequentes.

O futuro, ao que tudo indica, reserva muitas surpresas. E infelizmente não serão muito agradáveis.

Mais informações: Nicholas R. Golledge, Elizabeth D. Keller, Natalya Gomez, Kaitlin A. Naughten, Jorge Bernales, Luke D. Trusel, Tamsin L. Edwards. Global environmental consequences of twenty-first-century ice-sheet meltNature, 2019; 566: 65-72. Disponível em: https://go.nature.com/2DsLQRW
Imagem: Flickr/ Tak

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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