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Derretimento da maior plataforma de gelo da Antártica

A maior plataforma de gelo da Antártica está derretendo a uma taxa superior ao suposto anteriormente. Denominada de plataforma de Ross, ela tem uma área aproximadamente do mesmo tamanho do estado da Bahia. A descoberta foi realizado por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

As plataformas de gelo consistem em uma camada de gelo suspensa no mar e que se formam às margens da calota polar da Antártica. Elas funcionam como uma barreira, contribuindo para conter o movimento das geleiras da calota polar em direção ao oceano. Sem as plataformas, a velocidade do movimento pode subir de duas a três vezes.

Mapa da Antártica com indicação da plataforma de gelo de Ross
Em vermelho no mapa, a plataforma de gelo de Ross, na Antártica. Fonte: wikipedia.

Em função do aquecimento global, a interação das plataformas de gelo com os oceanos podem sofrer alterações, com profundas implicações para o derretimento. Contudo, segundo o estudo, haviam poucas observações diretas da região de contato entre as águas do oceano e a parte inferior das plataformas de gelo.

A ciência ainda dispunha de poucas informações sobre os processos envolvidos. Em geral, no caso da Antártica, pesquisas anteriores indicavam que o derretimento se devia principalmente à intrusão de águas mais quentes e profundas na base da calota polar. O estudo, no entanto, identificou um novo processo.

Os cientistas perfuraram um poço, com 260 metros de profundidade, em um ponto da plataforma de gelo de Ross. Com isso, puderam baixar instrumentos até a região abaixo do gelo, onde corria a água do oceano. Durante quatro anos, mediram a temperatura e a salinidade da água, as correntes oceânicas, e a taxa de fusão do gelo.

A fim de medir a redução da espessura da plataforma de gelo de Ross, foram realizados um levantamento por radar. O levantamento se estendeu por mais de 1.000 quilômetros de extensão.

Eles descobriram que a água superficial também cumpre um papel no derretimento da plataforma de gelo. Uma grande área de oceano aberto fica localizada em frente à plataforma de Ross. Durante o verão, as águas desse trecho absorvem a radiação solar, aquecendo, e depois fluem para debaixo da plataforma.

As margens da plataforma sofrem a influência do aumento da temperatura das águas superficiais. Durante o verão, esse processo pode fazer com que a taxa de derretimento suba quase três vezes. Além disso, a área com as taxas mais velozes de perda de gelo se localiza em um trecho estruturalmente estratégico, junto à ilha de Ross.

Segundo o estudo, a ilha serviria como ponto de apoio para a plataforma de gelo. Ela absorveria parte da pressão exercida pela massa de gelo da plataforma de Ross, servindo para retardar o fluxo. A taxa de derretimento nesse trecho foi 10 vezes maior do que a média para toda a plataforma de gelo.

O processo de derretimento promovido pelas águas superficiais dos oceanos pode levar à instabilidade das plataformas de gelo. No caso da plataforma de Ross, a ancoragem representada pela ilha de Ross poderia desaparecer, tendo início uma retração.

Por enquanto, o aquecimento global está comendo a calota polar pelas beiradas. É preciso parar o aquecimento, antes que ele avance com mais apetite.

Fonte: Universidade de Cambridge
Mais informações: Craig L. Stewart et al. ‘Basal melting of Ross Ice Shelf from solar heat absorption in an ice-front polynya.’ Nature Geoscience (2019).
Imagem: Flickr/Scripps – Matt Siegfried (frente da plataforma de gelo de Ross)

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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