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Degradação global dos solos congelados

O aquecimento global está afetando as regiões de solos congelados em todo o mundo, identificou estudo de um time internacional de cientistas. Com isso, essas regiões experimentam mudanças que podem ter consequências para o futuro.

Segundo o estudo, um quarto do hemisfério norte e 17% da superfície terrestre global é ocupada por regiões de solos congelados. Considera-se solo congelado aquele que apresenta temperaturas por volta ou abaixo de 0°C por pelo menos dois anos consecutivos.

Esse tipo de solo é sensível às variações das condições climáticas, em especial da temperatura e do regime de neve. Eles podem ser vulneráveis ao aquecimento global, principalmente porque as zonas de altas latitudes, como as regiões polares, atravessam um aquecimento maior e mais veloz do que a média global.

Uma das possíveis consequências da alteração dos solos congelados diz respeito à liberação de gases de efeito estufa para a atmosfera. Quando derretem, a matéria orgânica que estava congelada nos solos começa a se decompor, emitindo-se dióxido de carbono – CO2 – e metano – CH4.

Projeções indicam que a transformação das regiões de solos congelados poderá causar grandes emissões de gases de efeito estufa. Estima-se que as emissões seriam suficientes para elevar a temperatura média global entre 0,13ºC e 0,27°C até 2100, e em 0,42°C até 2300.

Todavia, o estudo ressaltou que a maioria dos modelos climáticos não inclui de forma adequada as modificações da região de solos congelados. Um dos motivos era a ausência de uma rede organizada com os resultados do monitoramento realizado ao redor do planeta.

Entre 2007 e 2009, uma iniciativa denominada Ano Polar Internacional modificou esse panorama. A iniciativa produziu um banco de dados globais das regiões de solos congelados monitoradas. E expandiu os pontos utilizados para o monitoramento da temperatura.

Os cientistas analisaram os dados de monitoramento disponíveis entre 2007 e 2016. Consideraram a temperatura média anual de solos congelados localizados no Ártico, na Antártica e em zonas de altas altitudes fora das regiões polares.

Gráfico mostra evolução da temperatura de solos congelados
O gráfico mostra a evolução da temperatura média anual em alguns locais de monitoramento. Fonte: figura 1 do estudo.

Os resultados mostraram que a temperatura dos solos congelados aumentou em todas as regiões do planeta. A tendência de aquecimento esteve associada ao aumento da temperatura do ar e da espessura da neve, em graus variados, dependendo da região.

Globalmente, a temperatura dos solos congelados subiu cerca de 0,29ºC entre 2007 e 2016. Em partes do Ártico, observou-se um aumento mais elevado das temperaturas, de aproximadamente 0,39ºC. O aquecimento de áreas montanhosas foi de 0,19°C, enquanto que na Antártica, de 0,37°C.

À medida que avança o aquecimento global, continuará a tendência de aquecimento dos solos congelados. O estudo ressaltou, no entanto, que ainda não é possível projetar precisamente o ritmo das transformações futuras, dadas as incertezas introduzidas por relações não lineares entre o clima e os solos congelados.

Apesar das melhorias, a rede atual de monitoramento precisa ser aprimorada. A degradação dos solos congelados tem implicações potencialmente amplas, principalmente pela liberação de largas quantidades de gases de efeito estufa.

Mais informações: Biskaborn, Boris K., et al. “Permafrost is warming at a global scale.” Nature Communications 10.1 (2019): 264.
Imagem: Flickr/ NPS Climate Change

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