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Deficiência hídrica aumentará no sertão

A deficiência hídrica na região do semiárido do estado do Rio Grande do Norte poderá aumentar consideravelmente com o aquecimento global, indicou estudo de pesquisadores das Universidades Federais do Pará e do Rio Grande do Norte.

A região do Nordeste brasileiro tem como característica a grande variabilidade das chuvas no tempo e no espaço. Segundo os pesquisadores, o Nordeste apresenta grande sensibilidade a qualquer tipo de alteração climática, como as estiagens ou os episódios de alagamento.

O aquecimento global afeta o clima da região. Anomalias na temperatura da superfície da água dos oceanos Atlântico e Pacífico, por exemplo, levou a uma tendência de maior precipitação total anual no leste da Paraíba e do Rio Grande do Norte entre 1935 e 2000.

Com a diminuição das chuvas e o aumento das temperaturas, também sobe o potencial evaporativo. Isso poderá intensificar a degradação da cobertura vegetal e dos solos.

As projeções do Primeiro Relatório de Avaliação Nacional sobre Mudanças Climáticas para o bioma Caatinga apontam uma elevação da temperatura entre 1,5ºC e 2,5ºC, acompanhada por redução entre 25% e 35% das chuvas para o período de 2041-2070.

Mapa de localização do município de Cruzeta
Mapa de localização do município de Cruzeta, no Rio Grande do Norte. Fonte: figura 1 do estudo.

O estudo detalhou os possíveis impactos do aquecimento no balanço hídrico do Rio Grande do Norte. Para tanto, os pesquisadores avaliaram os dados climatológicos do município de Cruzeta, localizado na zona semiárida do estado.

A análise incluir o levantamento da série histórica do período entre 1961 e 1990, as condições do período atual, entre 200 e 2016, e as possíveis mudanças futuras entre 2041 e 2070.

Em comparação com a série histórica, os resultados apontaram um pequeno aumento da temperatura média do ar no presente, de 0,6°C. A quantidade de chuva caiu 10%, observando-se a prevalência de anomalias negativas.

Um dos destaques ressaltados pelo estudo foi a seca ocorrida entre 2011 e 2016. Ela constitui na seca mais severa e persistente já registrada para a região.

A área de estudo vivencia uma situação de déficit hídrico alto ao longo do ano todo. A água das chuvas não é suficiente para repor a perda de água.

Essa condição irá se agravar significativamente no cenário de mudanças climáticas do período entre 2041 e 2070. O estudo projetou que nesse cenário, não ocorrerá mais reposição de água no sistema. A deficiência hídrica pode ser 4 vezes maior que a precipitação anual acumulada

Dessa forma, a deficiência hídrica tenderá a se tornar extremamente alta, trazendo grandes impactos para a região. Um dos riscos é a extinção do bioma caatinga.

Os pesquisadores ressaltaram a importância do planejamento e da implementação de medidas para a gestão dos recursos hídricos do semiárido nordestino. A região, que atualmente enfrenta estiagens prolongadas e recorrentes, deverá se adaptar a desafios ainda maiores no futuro próximo.

Fonte: Schmidt, D. M., Lima, K. C., & dos Santos Jesus, E. Variabilidade Climática da Disponibilidade Hídrica na Região Semiárida do Estado do Rio Grande do Norte
Imagem: Flickr/ Rafael

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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