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Danos na infraestrutura europeia podem aumentar mais de 10 vezes com as mudanças climáticas

Devido às mudanças climáticas, os danos anuais à infraestrutura da Europa podem ultrapassar em 10 vezes os danos atuais, afirma estudo de um grupo de pesquisadores europeus. As perdas econômicas mais elevadas ocorreriam nos setores da indústria, dos transportes e da energia.

O estudo investigou os riscos introduzidos pelas mudanças climáticas à infraestrutura crítica européia, considerada vital para a saúde, a riqueza e a segurança da União Européia. Esse tipo de infraestrutura inclui os sistemas de transporte, as usinas de geração de energia renováveis ​​e não renováveis, a indústria, as redes de abastecimento de água e as estruturas ligadas à educação e à saúde.

Segundo os pesquisadores, avaliar os riscos a eventos climáticos é uma tarefa complexa. As metodologias disponíveis são incompletas, enquanto que as vulnerabilidades dos diferentes tipos de infraestrutura nem sempre é conhecida. Para superar essas limitações, os pesquisadores criaram uma nova abordagem.

Em primeiro lugar, através de um modelo climático, o estudo elaborou projeções de como sete eventos extremos do clima irão evoluir no continente europeu por causa do aquecimento global. Os eventos considerados foram ondas de calor e de frio, secas, incêndios florestais, inundações fluviais, inundações costeiras e tempestades de vento.

As projeções climáticas foram combinadas com uma representação geográfica detalhada dos atuais ativos físicos e sistemas produtivos setoriais da União Européia. A avaliação qualitativa dos riscos se baseou em uma extensa revisão da literatura e em uma pesquisa realizada junto a cerca de 2.000 especialistas. Com isso, os pesquisadores criaram uma base de dados para avaliação e comparação da sensibilidade dos diferentes tipos de infraestruturas às variáveis do clima.

Finalmente, a avaliação de riscos produzida pelo estudo foi comparada com registros históricos de perdas e danos à infraestrutura ocorridos anualmente na Europa. A partir daí, foram calculados tanto as perdas e danos anuais futuros, em função das mudanças climáticas, como os custos de adaptação necessários para aumentar a resiliência da infraestrutura.

Os danos atuais causados na Europa por eventos climáticos extremos se relacionam à inundações de rios e à tempestades de vento. Todavia, os resultados do estudo indicam que a frequência das ondas de calor e das secas irá subir significativamente. No cenário avaliado pelo estudo, esses dois tipos de evento passariam a responder por quase 90% dos danos anuais causados pelo clima sobre a infraestrutura européia.

O gráfico da esquerda mostra, separado por setor, os danos atuais causados por eventos climáticos extremos na Europa e os danos projetados pelo estudo. O gráfico da direita traz a mesma informação, mas separada por tipo de evento extremo. Fonte: figura 2 do estudo.

A infraestrutura dos setores de energia, indústria e transporte apresentaram maior vulnerabilidade aos eventos extremos das ondas de calor e das secas. A vulnerabilidade da infraestrutura de educação e saúde foi considerada baixa. Dessa forma, os setores de energia, indústria e transporte registraram os maiores riscos e, consequentemente, as maiores perdas com as mudanças climáticas.

O estudo também sugere uma marcante diferenciação geográfica dos impactos das mudanças climáticas. Apesar de todas as regiões da Europa experimentarem um aumento progressivo nos riscos e perdas, o aumento foi significativamente mais intensos no sul e sudeste, em países como Portugal, Espanha, Itália e Grécia.

De 3,4 bilhões de euros por ano, os pesquisadores calcularam que as perdas causadas por eventos climáticos extremos na Europa, segundo o cenário avaliado, subiria para aproximadamente 9,3 bilhões em 2020, 19,6 bilhões em 2050 e 37 bilhões em 2080. O crescimento exponencial seria resultado exclusivamente dos efeitos das mudanças climáticas.

Por sua vez, os investimentos para adaptação da infraestrutura às mudanças climáticas de médio prazo, até 2070, foram estimados em 87 bilhões de euros. Para tornar a infraestrutura resistente às mudanças climáticas projetadas no cenário até 2100, os custos ultrapassariam 200 bilhões de euros. A região sul e sudeste da Europa, mais vulnerável às alterações projetadas nos eventos extremos, incorreriam na maior parte dos custos.

Mais informações: Escalating impacts of climate extremes on critical infrastructures in Europe
Imagem: Unsplash/ Ezra Jeffrey

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