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Corais do leste da Ásia podem desaparecer até 2050

A continuidade das emissões de dióxido de carbono – CO2 – poderão ter consequências devastadoras para recifes de coral de zonas subtropicais, alertou estudo de pesquisadores de universidade da Itália, do Japão e do Reino Unido. O impacto seria causado pela maior acidificação das águas dos oceanos.

A acidificação consiste no processo de diminuição do pH e das concentrações de íons de carbonato da superfície do mar. Ela tem origem no fato de que os oceanos absorvem grande parte do carbono emitido pelas atividades humanas, provando as alterações na acidez do oceano.

De acordo com o estudo, a resposta dos organismos marinhos à acidificação das águas varia significativamente entre as distintas espécies. As pesquisas anteriores em geral exploraram os impactos da acidificação sobre organismos isolados. Havia pouco conhecimento a respeito de potenciais impactos em comunidades e ecossistemas.

Recentemente, a pesquisa em locais com fraturas vulcânicas no fundo do mar se mostrou uma alternativa para explorar ambientes marinhos alterados por altas concentrações de CO2. As fraturas constituem fontes naturais de emissão do gás, expondo ecossistemas marinhos a uma vida inteira de altas concentrações e de acidificação.

Os pesquisadores investigaram os efeitos da acidificação oceânica de uma fratura oceânica na Ilha de Shikine, no Japão. A região apresenta uma grande biodiversidade, onde comunidades de organismos de zonas temperadas e subtropicais se sobrepõem.

O objetivo foi caracterizar os efeitos da acidificação das águas na composição das comunidades e ecossistemas marinhos locais. Devido às correntes oceânicas, a região se divide em diversas zonas com diferentes níveis de concentração de CO2. Abrange níveis semelhantes àqueles do início da era industrial, em torno de 300 partes por milhão – ppm, a níveis elevados, bem acima de 1.000 ppm.

Ao comparar a biodiversidade das zonas com níveis de acidificação correspondentes ao início da era industrial com aqueles com níveis correspondentes aos atuais – de 400 ppm -, o estudo detectou uma perda de abundância da macrofauna calcificante. Isso sugere que, em comparação com a época pré-industrial, os recifes de coral já sofrem os impactos da acidificação.

Constatou-se que o aumento do CO2 e da acidificação favorecia algumas espécies de algas e relvas. Dessa forma, as zonas de maior concentração de CO2 eram dominadas por essas espécies altamente tolerantes, levando ao declínio de outras microalgas e de corais.

Em meados deste século, o CO2 atmosférico pode alcançar níveis correspondentes a zonas nas quais predominavam as algas e relvas marinhas. Dessa forma, o estudo alertou para a possibilidade de uma grande perda da biodiversidade mundial de ecossistemas em zonas de transição entre subtropical e temperada até 2050. 

Se a acidificação continuar, a expectativa será de uma simplificação das comunidades costeiras em todo o leste da Ásia. De habitats de recife de corais, eles passariam a habitats menos complexos de organismos não calcificados.

Mais informações: Ocean acidification drives community shifts towards simplified non-calcified habitats in a subtropical−temperate transition zone
Imagem: figura 3 do estudo – comparação de comunidades marinhas sob menores (esquerda) e maiores (direita) níveis de CO2

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