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Conservação de serpentes da Mata Atlântica

As áreas de ocorrência de espécies de serpentes da Mata Atlântica serão significativamente reduzidas pelas mudanças climáticas. As áreas de conservação existentes não são suficientes para garantir a sobrevivência das espécies no futuro, alertou estudo de um time de cientistas brasileiros.

A biodiversidade global enfrenta a ameaça das mudanças climáticas, que promovem alterações em processos fisiológicos e ecológicos. Segundo o estudo, como consequência a distribuição e a persistência das espécies em um ambiente pode ser afetada.

Em função disso, as medidas de conservação da biodiversidade precisam considerar os efeitos futuros das alterações do clima. As áreas protegidas, apesar de fundamentais para a salvaguarda da biodiversidade, podem perder sua eficácia por causa das mudanças climáticas. É o que ocorre, por exemplo, com a baleia-franca do norte do Atlântico.

Caso a tendência de perda de eficácia das áreas protegidas atuais continue, os cientistas apontaram que a crise da biodiversidade pode alcançar níveis sem precedentes. As políticas e medidas de conservação, portanto, não devem mais possuir um caráter estático, mas se tornarem dinâmicas.

Isso implica em promover, no futuro, um sistema de unidades de conservação baseado no estabelecimento de novas unidades, levando-se em conta a relação entre as espécies e as condições climáticas.

O estudo investigou os possíveis impactos das mudanças climáticas na distribuição de áreas climaticamente adequadas para a ocorrência de serpentes na Mata Atlântica do Brasil. A análise considerou separadamente as espécies ovíparas – que colocam ovos – e vivíparas – cujo desenvolvimento embrionário se dá dentro do corpo materno.

Um total de 144 espécies de serpentes foram incluídas no estudo. Através de um modelo de nicho ecológico, os cientistas reproduziram a distribuição geográfica atual das diferentes espécies, conforme as condições ambientais e climáticas. As projeções até 2080-2100 se basearam em um cenário de médias emissões de gases de efeito estufa.

Os resultados apontaram para quedas significativas na quantidade de espécies de serpentes presentes no bioma em resposta às mudanças climáticas. O modelo sugeriu que, até 2080, cerca de 74% das espécies ovíparas e 68% das espécies vivíparas veriam sua área de ocorrência diminuir pelo menos pela metade da área atual.

As regiões mais afetadas pela perda de habitat e uma maior rotatividade das espécies seriam as porções sudoeste e nordeste da Mata Atlântica. Consistem nas regiões que sofreram grandes intervenções de atividades humanas. As serpentes ovíparas seriam as mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas.

As áreas protegidas atuais da Mata Atlântica mostraram uma capacidade muito limitada de conservação das espécies ao longo do tempo. Nesse sentido, os cientistas recomendaram a criação de novas áreas protegidas e a reconfiguração da rede existente. O objetivo deve ser incluir regiões que propiciem habitat para as serpentes, tendo em vista cenários futuros de aquecimento global.

Mais informações: Lourenço-de-Moraes, Ricardo, et al. “Climate change will decrease the range size of snake species under negligible protection in the Brazilian Atlantic Forest hotspot.” Scientific reports 9.1 (2019): 8523.
Imagem: figura 4 do estudo – mapa do bioma Mata Atlântica original (a) e situação atual, com áreas protegidas indicadas (b)

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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