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Limitar o aquecimento para conservar a biodiversidade

As regiões de maior biodiversidade do planeta estão ameaçadas pelo aquecimento global. Em um cenário no qual a temperatura média global atingisse 4,50C em 2100, estudo de cientistas da Austrália e do Reino Unido sugere que metade das espécies de animais e plantas dessas regiões pode ser extinta.

Para avaliar os impactos do aquecimento sobre a biodiversidade, o estudo explorou os possíveis impactos das mudanças do clima em cerca de 80 mil espécies de plantas e animais. A análise se concentrou nas 35 áreas mais diversas e naturalmente ricas do mundo, entre eles a Amazônia e o Cerrado.

Quatro cenários futuros foram criados a partir de um conjunto de modelos climáticos. Eles representavam as condições climáticas futuras para diferentes níveis de emissões de gases de efeito estufa. Aquele de menores emissões considerava que a meta do acordo climático de Paris seria alcançada, limitando-se o aquecimento a 2°C acima dos níveis pré-industriais.

O cenário de emissões mais altas implicava em uma temperatura média global, em 2100, de 4,5°C acima dos níveis pré-industriais.

O estudo sugere que, mesmo no cenário de sucesso do acordo de Paris, os impactos sobre a biodiversidade seriam significativos. Em boa parte, seriam causados pelo aumento das temperaturas médias e pela alteração do regime das chuvas, que se tornariam mais erráticas.

Áreas de grande biodiversidade localizadas no sul da África, no sudoeste da Austrália e na Amazônia foram as mais afetadas nos cenários futuros. Na situação em que o aquecimento atingisse 4,5°C, os climas dessas áreas ficariam inadequados para várias plantas e animais.

No sul da África, até 90% dos anfíbios, 86% dos pássaros e 80% dos mamíferos correriam risco de extinção. O trecho da Amazônia mais afetado poderia perder até 69% das espécies de plantas. No sudoeste da Austrália, 89% dos anfíbios estariam ameaçados. Outros lugares do planeta também veriam impactos severos.

A possibilidade de migração constituiu um fator fundamental para o aumento do risco de extinção. Quando uma espécie é capaz de se deslocar de uma área afetada para outra, em que o clima ainda mantinha condições adequadas,  o risco de extinção local diminuía.

Considerando todas as espécies das áreas estudas, o estudo estimou que 25% delas correria risco de extinção em 2100 no cenário de 2°C. O número subiria para aproximadamente 50%, no cenário de 4,5°C.

No cenário de 2°C, a migração reduziria a quantidade de espécies sob ameaça de extinção de 25% para 20%. O estudo ressalta, no entanto, que a maioria das plantas, anfíbios e répteis talvez não pudessem migrar com velocidade suficiente para acompanhar as mudanças no clima.

Segundo os cientistas, o estudo revela a importância do acordo climático de Paris. Alcançar o sucesso de limitar o aquecimento global a no máximo 2°C é fundamental para a conservação da biodiversidade mundial.

Fonte: Universidade de East Anglia
Mais informações: The implications of the United Nations Paris Agreement on climate change for globally significant biodiversity areas
Imagem: Unsplash/ Gwen Weustink

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