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Comunidades marinhas em reestruturação

A alteração da temperatura da água constitui em um indicador fundamental para avaliar as mudanças nos sistemas marinhos devido ao aquecimento global. Um reestruturação em larga escala das comunidades marinhas está em curso, apontou estudo de um time internacional de cientistas.

Espera-se que a distribuição de espécies marinhas seja afetada pelo aumento da temperatura dos oceanos. A teoria indicava que espécies migrariam para outras regiões, em busca de se adaptar segundo sua afinidade térmica. Mas a possibilidade de adaptação depende de características específicas das espécies, bem como de interações entre diferentes espécies.

Para analisar os efeitos do aquecimento global sobre a vida marinha, o estudo reuniu três décadas de dados de pesquisa a respeito de plâncton e peixes. Foram examinados cerca de três milhões de registros de milhares de espécies, entre 1985 e 2014, pertencentes a 200 comunidades ecológicas em oceanos de todo o mundo.

Os resultados mostraram que o aumento da temperatura constituiu no principal indicador de modificações de comunidades marinhas e de redistribuição de espécies. Regiões com temperaturas estáveis, como, por exemplo, o Nordeste do Pacífico e o Golfo do México, observaram baixa alteração.

Regiões com aumento da temperatura, como, por exemplo, o Atlântico Norte, experimentaram grandes modificações no domínio das espécies de águas quentes. Comunidades formadas por espécies com afinidades térmicas semelhantes e baixa tolerância se mostraram as mais sensíveis ao aumento da temperatura.

Todavia, em locais com grandes gradientes de profundidade de temperatura, as alterações nas comunidades foram menores. Nesses locais, observa-se uma forte queda da temperatura da água com a profundidade. Em vez de migrarem para outras regiões, as espécies presentes nesses locais passaram a ocupar camadas mais profundas do oceano.

Nesse sentido, as espécies marinhas reproduziam uma estratégia das plantas terrestres, que se movem em direção a altitudes maiores – por exemplo, de vales para as encostas de montanhas – como forma de se adaptar ao aumento da temperatura.

A maioria das espécies incluídas no estudo era de estoques comerciais de peixes. Segundo um dos cientistas envolvidos, as mudanças registradas pelo estudo deverão se fazer sentir no mercado pesqueiro. A abundância de espécies de água fria diminuirá, e o contrário ocorrerá com espécies de água quente.

A temperatura representou o fator fundamental para a modificação dos sistemas marinhos. Assim, o estudo concluiu, é possível prever a reestruturação das comunidades a partir da afinidade térmica das espécies.

Fonte: Universidade de Santa Bárbara
Mais informações: Burrows, M.T., Bates, A.E., Costello, M.J. et al. Ocean community warming responses explained by thermal affinities and temperature gradientsNat. Clim. Chang. 9, 959–963 (2019).
Imagem: Pixabay

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