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Compromisso dos países não atende o acordo de Paris

Se as Contribuições Nacionalmente Determinadas, apresentadas pelos países no âmbito do acordo climático de Paris, forem plenamente cumpridas, as metas não serão cumpridas. Estudo de pesquisadores do Canadá e da China aponta que o aquecimento global excederia em muito o limite de 1,5°C a 2°C acima do nível pré-industrial.

As Contribuições Nacionalmente Determinadas consistem em documentos apresentados por 190 países participantes do acordo de Paris. Elas apresentam, com diferentes graus de detalhamento, os planos de cada nação para mitigar as emissões de gases de efeito estufa até 2030.

Segundo o estudo, ainda não havia uma compreensão clara do impacto do conjunto das Contribuições Nacionalmente Determinadas na redução das emissões globais de gases de efeito estufa. Dessa forma, ignorava-se se elas seriam adequadas para atingir a meta do acordo climático de Paris.

Mapa com o aumento da temperatura projetado para 2030, caso as Contribuições Nacionalmente Determinadas sejam cumpridas. Fonte: adaptado da figura 5 do estudo.

Para suprir essa lacuna, os cientistas investigaram a relação entre as emissões cumulativas de dióxido de carbono – CO2 – e a temperatura média global. Com base em informações de modelos climáticos e modelos do ciclo de carbono, os cientistas estimaram o aquecimento global médio para o cenário no qual a redução das emissões seguiria o proposto nas Contribuições Nacionalmente Determinadas.

Caso todos os compromissos propostos nas Contribuições Nacionalmente Determinadas sejam integralmente cumpridos, foi estimado que as emissões globais de CO2 somariam entre 14,2 e 15 gigatoneladas de carbono em 2030. Isso levaria a temperatura média global a subir entre 1,29°C e 1,55°C acima do nível pré-industrial.

Para se ter uma comparação com o presente, estimativas da Agência Internacional de Energia apontam que somente o setor energético emitiu aproximadamente 32,5 gigatoneladas de carbono em 2017.

Mapa com o aumento da temperatura projetado para 2030, caso as Contribuições Nacionalmente Determinadas sejam cumpridas. Fonte: adaptado da figura 5 do estudo.

Os cientistas estenderam as projeções até o ano de 2.100. Adotaram o pressuposto de que as emissões de COatingiriam o pico em 2030, sendo mitigadas até o final do século. Nesse cenário, as emissões globais ficariam entre 6,4 e 9 gigatoneladas de carbono. A temperatura média global subiria entre 2,67°C e 3,74°C, extrapolando a meta do acordo de Paris.

Até 2030, as projeções mostraram que regiões de alta latitude, em especial o Ártico, experimentariam um nível de aquecimento mais intenso que o restante do planeta. As implicações para outros componentes do sistema climático podem ser sérias, alertaram os cientistas.

Como o estudo avaliou apenas as emissões de CO2, os resultados são sensíveis às futuras trajetórias de emissão de outros gases de efeito estufa. Por exemplo, maiores emissões de metano – CH4 – ou de óxido nitroso – N2O – no futuro levariam a um aumento ainda mais acentuado da temperatura.

Mais informações: Climate Warming in Response to Emission Reductions Consistent with the Paris Agreement
Imagem: figura 1 do estudo – mapa de emissões de cada país em 2030 caso as CNDs sejam integralmente cumpridas. As emissões individuais estão indicadas como porcentagem das emissões globais. 

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