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Como a vegetação influencia o clima regional

O desmatamento ao longo dos últimos séculos nos Estados Unidos e na Europa provavelmente contribuiu para aumentar, entre duas e quatro vezes, a frequência de verões extremamente secos e quentes. Uma cobertura vegetal extensiva pode mitigar regionalmente o impacto de ondas intensas de calor, de secas e de outros eventos climáticos extremos, afirma estudo de cientistas dos Estados Unidos.

A relação entre a vegetação, em especial as florestas, e os eventos climáticos é um dos campos de estudo da ciência. Entre as formas de influenciar o clima, a vegetação contribui para reduzir as temperaturas médias em escalas locais e regionais. O estudo buscou quantificar um pouco melhor essas influências, verificando como as alterações no uso e ocupação dos solos registrada na história recente impactou a freqüência de extremos de temperatura e seca a nível regional.

Os cientistas utilizaram um modelo computacional do clima. Durante o período compreendido entre 1800 e o presente, foram simuladas duas diferentes condições. Na primeira, o desmatamento e a alteração no uso e ocupação dos solos, a emissão de gases de efeito estufa, entre outras variáveis, reproduziram a mesma trajetória observada durante os séculos.

A segunda simulação repetiu as mesmas condições da primeira, mas com uma importante exceção. Dessa vez, a cobertura vegetal não foi alterada, preservando a mesma configuração registrada historicamente em 1800. Mesmo avançando a simulação ao longo dos séculos até o presente, os cientistas preservaram artificialmente no modelo a cobertura vegetal original. Nenhuma alteração no uso e ocupação dos solos foi incluída.

O experimento com o modelo climático permitiu aos cientistas compararem a situação atual, de grande perda de cobertura vegetal, com uma situação atual hipotética, na qual a vegetação original estivesse preservada. Os resultados sugerem que, em grande parte da Europa, do Canadá e dos Estados Unidos, a perda da vegetação reduziu significativamente o período recorrência de verões extremamente quentes e secos (ver mapa abaixo). Com a vegetação preservada, eles tenderiam a ocorrer uma vez a cada dez anos. Sem a vegetação, ocorrem uma vez a cada 2-3 anos.

Mapa com o impacto do desmatamento sobre a ocorrência de verões extremamente secos e quentes. Cor vermelha indica aumento, cor azul, redução, e cinza, sem alterações. Fonte: NOAA.

Ao mesmo tempo, as simulação apontaram que o desmatamento da vegetação trouxe também invernos mais frios nas regiões de alta latitude. Nos trópicos, registrou-se uma diminuição da frequência de verões extremamente quentes e secos, mas os cientistas não puderam atribuir essa tendência ao desmatamento. Além de uma área menor alterada, a região também está mais exposta à variabilidade oceânica em larga escala.

Do ponto de vista global, estima-se que o desmatamento tenha contribuído para um pequeno resfriamento na temperatura média da superfície terrestre por causas da fração de radiação solar refletida ou absorvida – o albedo. Um área coberta por florestas é muito eficiente em absorver radiação, possuindo, consequentemente, baixo albedo. Quando se retira a vegetação para o cultivo agrícola, por exemplo, a quantidade de radiação refletida de volta ao espaço aumenta – maior albedo.

O estudo indica, contudo, que os efeitos locais e regionais são bastante diversos. A paisagem, e nela a cobertura vegetal, constitui elemento formador das características do clima local, de sua sazonalidade e seus eventos extremos. A técnica de modelagem adotada pelo estudo pode auxiliar na gestão florestal.

Fontes: NOAA Climate.gov e NOAA
Imagem: Flickr/ Ana Cotta

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