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Como seria o verão com 2C de aquecimento global?

Uma dupla de cientistas australianos investigou como o aquecimento global influenciará na intensidade, frequência e duração das ondas de calor ao redor do planeta. Utilizando um conjunto de projeções geradas a partir de dois diferentes modelos climáticos, eles analisaram o impacto de cada 1C de aumento da temperatura média global acima do nível pré-industrial.

De acordo com o estudo publicado pelos cientistas, ondas de calor consistem em períodos prolongados de calor excessivo. Elas trazem temperaturas extremas, com impactos sobre a saúde humana, a infraestrutura, e sobre sistemas biofísicos. A duração, intensidade e especialmente a freqüência das ondas de calor vem aumentando desde 1950 em muitas regiões do planeta. A tendência de aumento vai se tornando inevitável com o avanço do aquecimento global.

Os resultados sugerem que, para cada 1C de aumento da temperatura média global, o número de ondas de calor por estação do ano deverá aumentar em média aproximadamente 1,5 a 2 eventos. A duração máxima por estação também variará, subindo em média entre 1 a 3 dias. A intensidade crescerá na mesma medida do aquecimento global.

Mapas com alterações nas características regionais de ondas de calor sazonais em função do aumento da temperatura global: (a) quantidade de dias; (b) número de eventos; (c) duração do evento; e (d) intensidade de pico. Fonte: figura 1 do estudo.

Em um cenário de aquecimento global de 1,5 ° C, o estudo indicou uma alteração na frequência das ondas de calor extremas em quase todas as regiões do planeta. Eventos mais intensos, com probabilidade de ocorrer uma vez a cada 30 anos quando a influência da atividade humana no sistema climático era insignificante, passariam a ter probabilidade de ocorrer uma vez a cada 4 anos.

Mas as médias globais não retratam adequadamente a diversidade de alterações regionais nas características das ondas de calor. Os resultados indicaram que a região dos trópicos será mais rapidamente afetada do que outras partes do planeta.

Em termos de duração, os resultados indicaram que para cada 1° C de aquecimento global, o aumento anual nos dias de ondas de calor pode exceder 30 dias em regiões tropicais e áridas. O aumento deve ser menor nas altas latitudes do hemisfério norte – cerca de 20 dias – e do hemisfério sul – entre 10 e 20 dias.

Os resultados sugerem que a intensidade das ondas de calor na Austrália e no sudeste da Ásia deve aumentar na mesma medida do aumento da temperatura global. Outras regiões do mundo podem observar aumento da intensidade em 1,2 a 1,5° C por grau de aquecimento global, sendo que o valor pode ser de até 1,8° C nos Estados Unidos, partes da África e na América do Sul, e 2° C ao longo de Europa.

Em um cenário de aquecimento global de 2° C, o estudo indica que a quantidade de ondas de calor nas regiões tropicais pode diminuir. Mas isso se deve a uma mudança climatológica relativamente rápida: nesse cenário, tem início um novo regime de temperatura nos trópicos, fazendo com que os verões fiquem normalmente tão quentes que eles se tornam uma perpétua onda de calor.

Gráficos mostram a projeção de aumentos no número de ondas de calor em locais que representam as 21 regiões do planeta analisadas: (a) Alasca; (b) o Mediterrâneo; (c) Austrália; (d) Ásia Oriental; (e) a Amazônia; e (f) África Oriental. Fonte: figura 4 do estudo.

Os cientistas ressaltaram que as projeções a respeito das ondas de calor podem sofrer variações, de acordo com o modelo climático utilizado. Além disso, há ainda incertezas e limitações dos modelos climáticos em simular as ondas de calor. As projeções dos modelos climáticos constituem aproximações gerais.

Elas são contudo informativas, pois mostram que o aquecimento global deverá influenciar as ondas de calor de forma diferente em cada região. E aprofundar o conhecimento sobre as mudanças regionais das ondas de calor é necessário para o planejamento de medidas de adaptação.

Mais informações: Changes in regional heatwave characteristics as a function of increasing global temperature 
Imagem: Freeimages

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