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Como adaptar a pecuária às mudanças climáticas

A adoção de sistemas silvipastoris constitui uma das estratégias mais eficientes e econômicas de adaptação ao aquecimento global para a pecuária extensiva, afirma artigo de pesquisadores brasileiros. Os sistemas minimizam os impactos do calor excessivo, como o estresse, o desconforto fisiológico e a diminuição do bem estar animal. 

De acordo com o artigo, a arborização ordenada das pastagens, além da proteção ao rebanho de eventos climáticos extremos, fornece outros serviços ambientais e permite ao produtor diversificar a produção. No entanto, as árvores são usualmente sub-utilizadas ou mesmo negligenciadas nas propriedades rurais brasileiras.

O sistema silvipastoril pode ser classificado conforme o tipo de arranjo das árvores e sua finalidade. Ele traz benefícios ambientais, econômicos e consiste em uma estratégia barata de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Do ponto de vista econômico, gera-se uma quantidade mais diversa de produtos, como, por exemplo, alimentos, frutos e castanhas, madeira e lenha, resinas ou pasto apícola.

Um dos benefícios ambientais do sistema silvipastoril é a redução de degradação do solo por meio de erosão. As árvores reduzem a erosão causada pelos ventos e estabilizam o terreno em áreas de maior declive, como as encostas. As árvores também contribuem para a melhoria da qualidade dos solos. Suas raízes promovem a descompactação do solo e estimula a atividade microbiana. Algumas espécies fixam o nitrogênio, aumentando a quantidade de nutrientes.

O artigo ressalta que o o clima é uma das principais influências sobre a produção animal nos trópicos, porque o calor excessivo leva a estresse e desconforto fisiológico. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, observam-se condições climáticas de estresse térmico de mediano a severo durante o verão, entre outubro e março.

Uma solução simples e acessível é o fornecimento de sombra natural. As árvores reduzem o calor ao obstruir a radiação solar e através da umidade que evapora das folhas. O artigo menciona que a temperatura sob a copa das árvores é cerca de 2 a 3°C menor que sob céu aberto. A sombra pode diminuir a carga de calor em mais de 30%.

A eficiência varia de acordo com a espécie vegetal. Aquelas de copas mais densas, altas e de maior projeção de sombra geram maior conforto térmico. Deve haver entre 6 e 10 m2 de sombra por animal, de forma a se evitar superlotação ou formação de barro no período chuvoso.

Finalmente, o sistema também apresenta resultados significativos na mitigação do aquecimento global. Os pesquisadores relatam que sistemas pastoris com 250 a 350 árvores de eucalipto por hectare, para corte aos oito a
doze anos de idade, sequestram aproximadamente 5 toneladas de carbono por hectare ou 18 toneladas/ha de CO2eq. Esse total equivale às emissões anuais de gases de efeito estufa de 12 bovinos.

A partir da pesquisa científica, a EMBRAPA lançou o selo Carne Carbono Neutro – CCN. O objetivo será emitir uma certificação para produtores rurais que neutralizarem a emissão do metano – CH4 – entérico emitido pelo rebanho por meio de sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta).

Em tempos de mudanças climáticas, a pecuária extensiva tradicional terá de se adaptar. A integração com o plantio de árvores apresente um enorme potencial ainda a ser explorado pelo produtor rural.

Mais informações: Conforto térmico e bem-estar animal em pastagem: um desafio para a pecuária tropical
Imagem: EMBRAPA / Selo Carne Carbono Neutro

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