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CO2 não explicaria a mudança no ciclo de glaciações

O dióxido de carbono – CO2 – não esteve por trás da alteração no ciclo das glaciações, observada há cerca de 1 milhão de anos atrás. Estudo de cientistas de universidades da China e dos Estados Unidos indicou que as concentrações atmosféricas do gás se mantiveram dentro da mesma faixa nos últimos 2,5 milhões de anos.

Segundo o estudo, o CO2 atmosférico ficou sempre abaixo de 300 partes por milhão – ppm – ao longo do período. Somente a partir da Revolução Industrial, por meio da queima de combustíveis fósseis e alterações no uso e ocupação dos solos, as concentrações passaram a subir.

No presente, o CO2 – principal gás de efeito estufa – alcançou níveis da ordem de 410 ppm. O resultado tem sido o aquecimento global e as mudanças climáticas.

O estudo investigou o Pleistoceno médio, época do passado terrestre há cerca de 1 milhão de anos atrás no qual a frequência dos ciclos glaciais sofreu uma modificação. As glaciações se verificavam a cada 41 mil anos, passando para cada 100 mil anos após o Pleistoceno médio.

Uma das principais hipóteses sustentava que a modificação no ciclo das glaciações seria uma resposta à queda das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2. No entanto, os registros paleoclimáticos a respeito do CO2 atmosférico, em especial daqueles obtidos do domínio marinho, apresentavam valores divergentes para a concentração do CO2 durante o Pleistoceno médio.

A fim de extrair informações de uma nova fonte de registro paleoclimático, os cientistas desenvolveram um novo método de análise físico-química de camadas dos solos constituídas ao longo de milhares de anos. Eles coletaram amostras dos solos de uma região da China, medindo isótopos de carbono.

Gráfico de reconstrução do CO2 no pleistoceno a partir de análise dos solos
Reconstrução da concentração atmosférica de CO2 no Pleistoceno, entre 2,6 milhões e 900 mil anos atrás (quadrados azuis). A linha cinza apresenta a reconstrução do CO2 atmosférico a partir da análise de núcleos de gelo. O pontilhado marca o limite de 300 ppm. Fonte: adaptado da figura 3 do estudo.

Calcularam então as concentrações atmosféricas do CO2, reconstruindo as concentrações entre 2,6 milhões e 900 mil anos atrás. Os resultados apontaram para níveis inferiores a 300 ppm, comparáveis aos níveis registrados em análises de núcleo de gelo e que cobrem os últimos 900 mil anos.

Além disso, não se detectou uma redução do CO2 atmosférico durante o Pleistoceno médio. Pelo contrário, o estudo sugeriu que as concentrações do gás se mantiveram na mesma faixa muito antes e durante o Pleistoceno médio.

Dessa forma, os resultados não confirmaram a hipótese de que a alteração no ciclo das glaciações teria sido provocada pela queda do nível de CO2 atmosférico.

Mais informações: Jiawei Da, Yi Ge Zhang, Gen Li, Xianqiang Meng, Junfeng Ji. Low CO2 levels of the entire Pleistocene epochNature Communications, 2019
Imagem: adaptado da figura 1 do estudo

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