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O registro do clima pelos anéis das árvores

Uma das formas de se estudar o clima do passado é através dos anéis das árvores. Eles constituem formas concêntricas circulares que marcam o interior do tronco das árvores.

À medida que a planta cresce, o diâmetro de seu tronco se expande. Mas o crescimento ocorre de forma desigual. Durante a estação de crescimento, ele é mais rápido. Na estação mais fria e menos favorável, o crescimento diminui e a madeira se torna mais densa e escura.

A diferença entre o ritmo de crescimento das diferentes estações do ano, e a consequente mudança de cor da madeira, gera a forma dos anéis no interior do tronco das árvores. Eles marcam a passagem de um ano na vida da planta.

Dessa forma, é possível contar a idade de uma árvore através de seus anéis de crescimento. Ao mesmo tempo, a largura de cada um dos anéis pode fornecer informações a respeito das condições climáticas experimentadas pela planta.

Em regiões de clima seco – por exemplo, o Oriente Médio ou o sudoeste dos Estados Unidos -, a variação na largura dos anéis de árvores correspondem a frequência de anos mais úmidos ou secos.

Por sua vez, em regiões mais frias, de altas latitudes ou altitudes, a largura pode constituir um indicador de variações na temperatura de um ano para outro.

A fim de verificar se em um determinado local o padrão dos anéis de árvores serve como referência do clima, os pesquisadores o comparam com os registros meteorológicos locais. Se há uma boa correspondência estatística entre o crescimento de árvores e variáveis como temperatura ou precipitação, pode-se estimar as condições ambientais do passado a partir da análise dos anéis.

Além disso, reúnem-se as informações obtidas pela análise de anéis de árvores de locais distintos em um mesmo banco de dados, como o Banco Internacional de Dados de Árvores – ITRDB, na sigla em inglês.

Nele se encontram dados obtidos em todo o mundo: mais de 4.600 locais em seis continentes. A comparação e análise das informações contribui tanto para o entendimento de particularidades locais quanto para a integração de informações geograficamente diferentes.

Por meio das árvores, a ciência consegue reconstruir a história do clima ao longo de séculos ou até por mil anos ou mais. A arqueologia se baseou em anéis de árvores para estimar a idade da Igreja da Natividade, em Belém – que possui por volta de 1500 anos.

E essas informações auxiliaram na reconstrução da temperatura média na América do Norte ao longo dos últimos 2.000 anos, dando origem a uma das imagens mais famosas da ciência climática – o gráfico do taco de hóquei.

Fonte: NOAA
Imagem: Pixabay

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