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Clima favorece a podridão da uva madura

A Serra Gaúcha, maior região brasileira produtora de vinho, está enfrentando um novo tipo de doença. A podridão da uva madura transformou-se em um sério problema para os produtores. E o aquecimento global pode ter contribuído para a disseminação da doença, apontou estudo de pesquisadores de universidades do Brasil e da Itália.

Quase 90% da produção brasileira de vinho se concentra na Serra Gaúcha, no estado do Rio Grande do Sul. Segundo o estudo, a podridão da uva madura era uma doença relativamente rara na região até por volta do ano de 2001.

As últimas décadas, no entanto, experimentaram maior umidade e temperatura na época da colheita. As novas condições climáticas favoreceram a proliferação da doença. E uma avaliação de projeções futuras de mudanças climáticas apontaram que a podridão madura poderá se tornar uma das doenças mais importantes nas culturas das terras altas do Sul Brasil.

A doença provoca perdas de rendimento e prejudica a qualidade da uva e do vinho, como a cor, o sabor ou a composição química. Os sintomas aparecem quando os cachos amadurecem. Surgem manchas circulares e as uvas podem escurecer e murchar.

Uma das maiores dificuldades tem sido o fato da doença ser causada por diversas espécies de fungos. Apesar de possuírem um comportamento semelhante, cada espécie também traz características particulares. Dessa forma, cada espécie poderá exigir práticas agrícolas e sistemas de controle diferentes.

Nesse sentido, a fim de auxiliar no manejo da doença, o estudo buscou identificar as espécies de fungo presentes na Serra Gaúcha. Os pesquisadores coletaram, entre 2017 e 2018, amostras de uvas afetadas pela podridão madura em mais de 60 locais de cultivo.

Em laboratório, identificou-se uma alta diversidade de espécies de fungos. As mais comuns foram Colletotrichum viniferum e Colletotrichum fruticola, cada uma correspondendo a aproximadamente 35% das amostras. O estudo indicou que essas espécies haviam sido previamente detectadas na Coréia do Sul e na China.

Os pesquisadores esperam que a identificação das espécies de fungos ajude na escolha dos sistemas de controle mais eficientes.

Mais informações: Echeverriagaray, S. et al. Colletotrichum species associated to ripe rot disease of grapes in the “Serra Gaucha” region of Southern Brazil. In: BIO Web of Conferences. EDP Sciences, 2019. p. 01008.
Imagem: Flickr/ Lelia Valduga

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