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Cidades ricas e densas possuem maior pegada de carbono

As 100 maiores cidades do mundo são responsáveis por 18% da pegada de carbono da humanidade, apontou estudo de um grupo internacional de cientistas.

A maioria das emissões de carbono tem origem no uso final de energia realizado nos centros urbanos. Segundo o estudo, as áreas urbanas abrigam cerca de 54% da população mundial e respondem por mais de 70% do consumo global de energia

Apesar de existirem diversos inventários de cidades ou estados, eles geralmente não são comparáveis ​​nem abrangentes. Além disso, a maioria das cidades do mundo não possui uma estimativa da pegada de carbono.

As cidades também se caracterizam pela concentração da atividade econômica. Estima-se que 600 cidades respondam por 60% do PIB global. O objetivo do estudo foi investigar se a pegada de carbono apresentaria a mesma característica – alta concentração em um número relativamente pequeno de municípios.

Gráfico destaca as 20 cidades com a maior pegada de carbono. Elas apresentam uma grande população e um renda per capita elevada. As exceções são Cairo e Jacarta, com baixa renda e grande população, e Miami e Al-Ahmadi, no Kuwait, com menores populações. Fonte: figura 5 do estudo.

Para tanto, os cientistas desenvolveram um modelo pelo qual, a partir dos dados de população e renda, desagregaram a pegada de carbono para mais de 13.000 cidades ao redor do planeta. Além de pesquisas anteriores sobre pegada de carbono, o modelo utilizou também informações de inventários de emissões de gases de efeito estufa.

O estudo confirmou que a pegada de carbono tem uma concentração semelhante à registrada para a atividade econômica. Abrigando 11% da população mundial, as 100 principais cidades representam 18% da pegada de carbono global.

A concentração foi observada na maioria dos países. Em 98 dos 187 avaliados, as três maiores cidades respondiam por mais de 25% da pegada de carbono nacional.

Dos 200 centros urbanos com as maiores pegadas de carbono, 41 se localizam em países com baixas emissões totais e per capita. Entre elas, Dhaka, no Senegal, Cairo, no Egito, e Lima, no Peru. Em tais áreas urbanas, uma combinação entre riqueza e população produziu uma pegada de carbono semelhante à de países de renda mais alta.

Nas cidades de grande porte, a pegada de carbono abrange emissões diretas e indiretas, incorporadas ao consumo. No caso de áreas urbanas de médio porte, observou-se uma diferenciação de acordo com a renda. As de PIB mais alto usualmente consistiram em importadores, verificando-se o contrário nas de PIB mais baixo.

Diferentes perfis de centros urbanos: (i) populoso, PIB elevado e grande pegada de carbono; (ii) população e PIB médios, mas importadores de carbono; (iii) de baixo PIB e exportadores de carbono para outras cidades; e (iv) pequeno porte e importadores de carbono. Fonte: figura 6 do estudo.

Os resultados mostraram que as cidades de maior pegada de carbono não são aquelas com o maior crescimento populacional. As cidades com as maiores taxas de crescimento tiveram uma participação minoritária na pegada de carbono global.

Contudo, à medida que elas invistam em infraestrutura e a renda aumenta, a expectativa é de que sua pegada de carbono se torne cada vez maior.

Os cientistas ressaltaram que a concentração da pegada de carbono em alguns centros urbanos oferece uma oportunidade. Estratégias de mitigação das emissões de gases de efeito estufa podem ser direcionadas a somente algumas localidades, mas ter um grande efeito.

Mais informações: Carbon footprints of 13 000 cities
Imagem: adaptado da figura 2 do estudo – mapa mundial de pegada de carbono per capita

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