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Chuvas na América do Sul oscilaram durante as glaciações

O sistema de monções da América do Sul experimentou rápidas e grandes oscilações durante a penúltima glaciação, identificou estudo de cientistas de universidades da China e dos Estados Unidos. As oscilações ocorreram em escalas milenares, provocando alterações nos padrões de chuva no continente.

Oscilações abruptas, em escala milenar, ocorreram durante a última glaciação, entre 15 e 115 mil anos atrás. Elas foram marcadas por alterações nas temperaturas em zonas setentrionais de altas latitudes, e por variação da chuva nos trópicos.

A descoberta dessas oscilações aconteceu por meio da análise de núcleos de gelo da calota polar da Groenlândia. As oscilações ganharam o nome dos dois cientistas que as identificaram por meio do estudo do gelo ártico, sendo conhecidas como ciclos de Dansgaard/Oeschger – D/O.

A existência dos ciclos de D/O durante a última glaciação também ficou registrada em diversos outros registros paleoclimatológicos, coletados em ambos os hemisférios. Contudo, permanecia a dúvida se os ciclos teriam se verificado também em glaciações mais antigas.

Isso porque os núcleos de gelo da calota polar da Groenlândia cobrem somente a última glaciação. Por outro lado, vários registros paleoclimáticos, marinhos e terrestres, sugeriam a presença dos ciclos durante a penúltima glaciação, entre 135 e 190 mil anos atrás.

Segundo o estudo, o problema dos registros marinhos e terrestre era a falta de precisão cronológica, dificultando a comparação entre eles e a caracterização de eventos de escala milenar.

Uma das alternativas para levantar informações a respeito da penúltima glaciação seria o estudo de espeleotemas de cavernas. Através da análise e datação de estalagmites, é possível levantar dados a respeito das condições ambientais do passado.

Para obter um registro mais detalhado da penúltima glaciação, os cientistas coletaram e analisaram estalagmites da gruta de Huagapo, dos Andes peruanos. A análise resultou em dados de alta resolução, permitindo reconstruir a variabilidade da monção de verão da América do Sul entre 135 e 195 mil anos atrás.

Um dos fatores de influência da monção da América do Sul esteve ligado à precessão do eixo terrestre. Alterações periódicas da inclinação do eixo terrestre em relação ao sol – denominadas de precessão – modificam quantidade de insolação solar no verão da América do Sul.

Em momentos em que a precessão eleva a insolação solar no verão, a monção da América do Sul se fortalece. Com isso, aumentam as chuvas no continente. O oposto ocorre em momento em que a precessão diminui a quantidade de insolação solar no verão sul americano.

Após isolar os efeitos do precessão, os cientistas puderam identificar, entre 160 e 180 mil anos atrás, oscilações milenares na monção da América do Sul. Elas se mostraram bastante semelhantes em amplitude e estrutura aos ciclos de D/O, mas se deram em intervalos de tempo maiores, a cada 3.500 anos.

Dessa forma, o estudo sugeriu que tanto na última, quanto na penúltima glaciação, ocorreram ciclos de D/O. A diferença entre a periodicidade dos ciclos entre uma glaciação e a outra estaria associada à diferenças nas características das calotas polares.

A descoberta reforça a teoria de que o sistema climático pode atravessar mudanças abruptas, em escala de tempo milenares, ligadas às dinâmicas das calotas polares do hemisfério norte durante as glaciações.

Mais informações: Burns, S. J., Welsh, L. K., Scroxton, N., Cheng, H., & Edwards, R. L. (2019). Millennial and orbital scale variability of the South American Monsoon during the penultimate glacial periodScientific reports9(1), 1234.
Imagem: Wikimedia/ Otto Carotto

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