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Chuvas extremas ficaram mais comuns

A frequência de eventos de chuvas extremas aumentou ao redor do mundo entre 1964 e 2013 em função do aquecimento global. A tendência foi observada a partir de um levantamento de pesquisadores de universidades do Canadá e da Itália.

Uma das consequências esperadas do aquecimento global diz respeito à alteração do regime de precipitação extrema. O aumento do calor da atmosfera se traduz em uma maior capacidade de armazenamento de vapor d’água. Com isso, criam-se condições para mudanças nas chuvas intensas.

O estudo ressaltou que, na literatura científica, verifica-se uma concordância geral a respeito do fato de que as chuvas extremas estão se alterando em resposta ao aquecimento. Mas os padrões e as taxas de mudança variam segundo a metodologia utilizada, os dados analisados e o período de tempo.

A fim de estabelecer um panorama global da modificação das chuvas extremas, os pesquisadores reuniram mais de 8.700 registros diários de chuvas, monitorados por 100.000 estações meteorológicas distribuídas por todo o planeta. O conjunto de dados cobria o período entre 1964 e 2013.

Nesse período, a partir da segunda metade do século passado, ocorre uma grande expansão das emissões de gases de efeito estufa. Como resultado, também se intensificou rapidamente o efeito estufa, levando a um aquecimento global acelerado.

Tendência de aumento de chuvas extremas
Os gráficos mostram os resultados do estudo da frequência de eventos de chuvas extremas entre 1964 e 2013. Fonte: Universidade de Saskatchewan

Ao mesmo tempo, entre 1964 e 2013, a frequência de eventos de chuvas extremas aumentou constantemente. Em especial, em partes do Canadá e da China, na maior parte da Europa, nas regiões centro-oeste e nordeste dos Estados Unidos, no norte da Austrália e no oeste da Rússia.

A América do Sul e a África não foram incluídas no estudo, pois não foram encontradas séries de dados completos ou consistentes para todo o período analisado. Em todas as regiões abrangidas pelo estudo, estimou-se um crescimento de 7% na frequência de chuvas extremas entre 2004 e 2013. Na Europa e na Ásia, o aumento foi de 8,6%.

Segundo os pesquisadores, a intensificação da frequência de eventos de chuvas extremas não pode ser explicada pela variabilidade climática natural. A tendência representa um sinal das modificações que o sistema climático terrestre está experimentando.

O estudo notou alterações pouco relevantes na magnitude das chuvas extremas. Quando ocorreram, o aumento da magnitude não teve, em geral, relação com o aumento da frequência.

O estudo serve de alerta para a necessidade de adaptação por parte dos governos e autoridades locais. À medida que avance o aquecimento global, é provável que o aumento da frequência de eventos de chuvas extremas continue.

Fonte: Universidade de Saskatchewan
Mais informações: Papalexiou, S. M., & Montanari, A. (2019). Global and Regional Increase of Precipitation Extremes under Global WarmingWater Resources Research.
Imagem: Flickr/ Semilla Luz

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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