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Chuvas em áreas de cultivo irão se alterar até 2040

As mudanças climáticas podem alterar o regime de chuvas em locais de cultivo de trigo, soja, arroz e milho até 2040. As mudanças na precipitação irão ocorrer mesmo se as metas do acordo climático de Paris forem cumpridas, sugeriu estudo de cientistas de universidades do Chile, da Colômbia e do Reino Unido.

As projeções indicam que o aquecimento global afetará a precipitação ao redor do mundo, com consequências para a produção de alimentos. No entanto, segundo o estudo, apenas algumas regiões começaram a experimentar uma alteração nas chuvas.

O momento em que o regime de chuvas passará a se comportar em desacordo com a variabilidade histórica natural é denominado de tempo de emergência. Identificar o tempo de emergência consiste uma tarefa fundamental para planejar medidas eficazes de adaptação.

O estudo utilizou um modelo climático para simular quatro cenários, de baixas a altas emissões de gases de efeito estufa. O objetivo foi explorar o tempo de emergência de um novo regime de chuvas em áreas de produção de trigo, soja, arroz e milho. Eles representam cerca de 40% da ingestão calórica global.

O regime de chuvas registrado entre 1986 e 2005 foi adotado como linha de base para comparação com as modificações. Detectou-se que, em lugares da Rússia, Noruega, Canadá e da costa leste dos Estados Unidos, um novo regime de precipitação já começou.

As simulações sugeriram que o mediterrâneo, o sul da África, o sudoeste da América do Sul, o centro do México, e o sudoeste da Austrália ficarão mais secos. O Canadá, a Rússia, a Índia e o leste dos Estados Unidos irão enfrentar maior umidade.

Em relação às áreas de cultivo, até 14% delas poderá se tornar mais seca e 31% mais úmidas até 2040.

Países produtores de trigo, como a Austrália, o Chile ou a Itália, deverão conviver com menos chuva. Os produtores deverão buscar alternativas para viabilizar a produção frente às novas condições. Nos dois países mais populosos, China e Índia, além de outros países asiáticos, projetou-se uma intensificação das chuvas.

O aumento da precipitação talvez não se traduza em melhorias na produtividade, apontaram os cientistas. Isso dependerá de outros fatores, como o aumento das temperaturas, da distribuição das chuvas, ou da frequência e intensidade de eventos extremos.

Em todos os cenários de emissões de gases de efeito estufa, verificou-se o aparecimento de novos regimes de chuva. Todavia, nos cenários de baixas emissões, as áreas afetadas seriam menores. No cenário de altas emissões, até 36% de toda a superfície terrestre experimentaria uma alteração até 2040.

Para os cientistas, em todos os cenários, haverá a necessidade de adaptação às mudanças futuras nas regiões afetadas. Os produtores estarão submetidos a condições significativamente das condições históricas. E a maior parte das regiões terá entre duas e três décadas para se preparar.

Fonte: Centro Internacional para a Agricultura Tropical
Imagem: Unsplash/ Martin Noré

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