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Chove chuva, chove sem parar na Groenlândia

Chove chuva, chove sem parar. O refrão da música está se tornando algo cada vez mais comum em partes da calota polar da Groenlândia. E chuvas durante o ano todo estão contribuindo para o derretimento da calota polar, afirmou estudo de cientistas de universidades da Alemanha e dos Estados Unidos.

Entre 1992 e 2011, estima-se que o derretimento da calota polar da Groenlândia levou a um aumento do nível médio do mar de 7,5 mm. A cada ano, a Groenlândia lança ao mar aproximadamente 270 bilhões de toneladas de gelo.

De acordo com o estudo, a perda de massa se deve a uma aceleração das geleiras em direção ao mar, onde elas se quebram e fragmentam, e também ao derretimento da superfície das geleiras. Mas em anos recentes, o derretimento da superfície das geleiras se transformou na principal causa do derretimento.

As condições meteorológicas do Ártico exercem forte influência sobre o derretimento superficial da calota polar. Pesquisas anteriores investigaram o clima regional, explorando os fatores por trás do derretimento superficial na Groenlândia durante o verão.

Todavia, apesar do verão representar a principal estação de derretimento, a análise de apenas uma época do ano impedia a plena compreensão de possíveis outros mecanismos por trás da perda de gelo.

Os cientistas investigaram eventos de fusão da superfície da calota polar registrados entre 1979 e 2010. A partir de imagens de satélite e observações meteorológicas no solo, eles identificaram as condições atmosféricas sob as quais ocorreram os eventos.

O estudo identificou que ciclones atmosféricos provocaram o derretimento superficial tanto no verão quanto no inverno. Esse tipo de sistema atmosférico transportava calor e umidade para grandes porções da calota polar. Além disso, também alterava outros diversos fatores climáticos.

Chuva e derretimento na Groenlândia
Gráfico da evolução, entre 1979 e 2012, da frequência (a), extensão (b) e duração (c) de eventos de derretimento superficial da calota polar. Fonte: adaptado da figura 6 do estudo.

Durante os ciclones atmosféricos, elevava-se a cobertura de nuvens mais densa e a precipitação na forma de chuva, em vez de neve. Nessas condições atmosféricas, a troca de energia regional entre o planeta e o espaço se modificava. As nuvens aumentavam a absorção de radiação infravermelha, enquanto que o albedo diminuía.

Estimou-se que os sistemas de ciclones responderam por cerca de 40% da precipitação total sobre a calota polar da Gronelândia. Além da substituição mais frequente da neve pela chuva, os sistemas expandiram a área da chuva para o norte.

Dessa forma, interferiram no equilíbrio entre o ganho da massa da calota polar – através do acúmulo de neve – e a perda massa – devido ao derretimento.

Por meio de um modelo climático, os cientistas calcularam que os eventos de derretimento superficial ligados aos ciclones atmosféricos mais que dobraram no verão e mais que triplicaram no inverno. Responderam por 28% da perda de massa total da Groenlândia.

Durante o ano todo, a chuva tem contribuído para o declínio da calota polar, concluiu o estudo. E a continuidade do aquecimento global deverá amplificar o derretimento no futuro.

Fonte: Universidade Columbia
Mais informações: Oltmanns, M., Straneo, F., & Tedesco, M. (2019). Increased Greenland melt triggered by large-scale, year-round cyclonic moisture intrusionsThe Cryosphere13(3), 815-825.
Imagem: Flickr/ Denis Felikson, Universidade do Texas

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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