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Choque de placas tectônicas provocam glaciações

Quando placas tectônicas colidem na região tropical, elas podem desencadear períodos de grande glaciação no planeta. Esse efeito teria sido responsável pelo surgimento de três eras glaciais nos últimos 540 milhões de anos, afirmou estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

O fenômeno dependeria da colisão entre uma placa oceânica e uma placa continental. Quando as duas se chocam, geralmente se forma, como resultado, uma cadeia de montanhas de rochas recém-expostas à atmosfera. A cadeia de montanhas do Himalaia teve origem nesse tipo de colisão.

O calor e a umidade dos trópicos gera o intemperismo da rocha – a decomposição por meio de reações químicas envolvendo a água e o ar. No processo de intemperismo, o cálcio e o magnésio presente nas reage com o dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera.

Durante a reação química, o carbono do ar é fixado na forma de carbonato – por exemplo, como calcário. Ao longo de milhares de anos, o intemperismo sequestra o carbono, reduzindo as concentrações atmosféricas de CO2.

Dessa forma, o efeito estufa da atmosfera diminui e o sistema climático esfria. Tem início os períodos de glaciação.

Uma pesquisa anterior havia identificado que colisões entre placas oceânicas e continentais ocorreram a cerca de 80 e também de 50 milhões de anos atrás em zonas de baixa latitude do planeta. As colisões precederam eventos de queda da temperatura média global, levando ao surgimento de eras do gelo.

Em função da magnitude e da localização, o intemperismo associado às colisões teria sido suficiente para sequestrar quantidades de CO2 atmosférico suficientes para iniciar as glaciações.

Animação de placas tectônicas e glaciações
A animação apresenta a simulação do modelo de migração de placas tectônicas. As faixas amarelas correspondem à zonas de colisão. O avanço das barras azuis nos pólos indica a ocorrência de glaciações. Fonte: MIT

O estudo explorou a possibilidade do fenômeno estar associado aos períodos de glaciação registrados nos últimos 540 milhões de anos da história do planeta. Em primeiro lugar, através de uma extensa pesquisa bibliográfica, os pesquisadores levantaram os principais pontos de colisão de placas tectônicas no presente.

Em seguida, eles utilizaram um modelo computacional do movimento das placas tectônicas. Assim, reconstruíram o movimento das placas e dos pontos de colisão ao longo do passado geológico da Terra. O modelo permitiu identificar onde, quando e por quanto tempo as colisões aconteceram.

As simulações indicaram que colisões de grande magnitude de placas tectônicas antecederam os três grandes episódios de glaciação dos últimos 540 milhões de anos. O tamanho importava para o efeito sobre o sistema climático: a área de contato entre as placas teria aproximadamente 10 mil quilômetros de comprimento.

A era do gelo mais antiga ocorreu no Ordoviciano Superior, entre 455 a 440 milhões de anos atrás. Outra glaciação teve lugar durante o Permo-Carbonífero, entre 335 a 280 milhões de anos atrás. O terceiro episódio teve início a cerca de 35 milhões de anos, no Cenozóico, e consiste no presente período do ciclo das glaciações.

Abrangendo por volta de 10 mil quilômetros de comprimento, uma colisão de placas tectônicas ainda se encontra ativa na região da Indonésia. Ela teria sido a principal responsável pela queda das concentrações atmosféricas de CO2 dos últimos milhares de anos, que levou à atual era glacial – cujo início é marcado pela formação da calota polar da Antártica.

A colisão de placas tectônicas pode ser, afinal de contas, a mãe das eras do gelo.

Fonte: MIT
Imagem: Flickr/ Paul Horn

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