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Cenário aponta para a viabilidade da meta de 1,5C

É possível atingir a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industrias, conforme estabelecido pelo acordo climático de Paris, e atender aos objetivos do desenvolvimento sustentável das Nações Unidas.

Para tanto, deve-se alterar profundamente a mobilidade urbana, o uso de aquecimento, de ar-condicionado, de aparelhos e de outros dispositivos, afirma estudo de um time internacional de cientistas. Segundo eles, é possível dessa forma elevar o padrão de vida nos países do sul global sem elevar a demanda de energia.

O estudo avaliou a contribuição de tecnologias existentes, mas ainda não amplamente disseminadas, e de inovações comportamentais e sociais para a redução de emissões de gases de efeito estufa. Utilizando um modelo computacional, os cientistas exploraram um cenário futuro no qual esses fatores levam à modificação da quantidade e do tipo de serviço de energia.

Para montar o cenário, foram revisadas pesquisas anteriores a respeito da energia utilizada nos transportes, nas residências, nos escritórios e na fabricação de bens de consumo.

O estudo sugere que é possível obter uma redução entre 2 a 4 vezes na quantidade de energia utilizada no transporte de pessoas e mercadorias, na climatização de edifícios, e no atendimento das necessidades materiais da população mundial.

Um dos exemplos de inovação considerado pelo estudo estão os veículos elétricos compartilhados. Substituir o modo de transporte urbano baseado em automóveis particulares por uma frota elétrica de carros compartilhados poderia reduzir a demanda global de energia por transporte em 60% até 2050.

Telefones celulares do tipo smartphone poderiam estimular uma mudança no consumo, especialmente entre as gerações mais novas. Em vez de adquirir bens materiais, eles consumiriam mais serviços digitais. O estudo sugere que duplicar a quantidade de celulares teria o potencial de limitar o crescimento da demanda global de energia a apenas 15% até 2050.

Outro exemplo é a implementação de padrões de desempenho energético de novos edifícios, bem como a renovação das construções antigas, levaria a economias no setor de 75% no uso do aquecimento e do ar-condicionado até 2050.

Os hábitos alimentares também precisariam ser alterado. Uma diminuição do consumo de carne vermelha, mantendo-se o mesmo nível de calorias ingeridas, contribuiria para uma forte diminuição das emissões de gases de efeito estufa da agropecuária. Mais terra seria liberada para a recuperação da cobertura florestal.

No cenário proposto pelos cientistas, se a demanda mundial de energia cair 40% até 2050, as taxas atuais e projetadas de implantação de energia renovável seriam suficientes para atender à demanda. Não haveria a necessidade de recorrer a tecnologias ainda não comprovadas, como a bioenergia com captura e armazenamento de carbono.

O cenário representa uma mudança sem precedentes do ponto de vista socioeconômico, gerando uma retração na oferta e demanda de energia. Segundo os cientistas, implicaria a mobilização de comunidades e consumidores, políticos e corporações multinacionais. Assim se alcançaria a meta do acordo de Paris, evitando-se os perigos de rápidas mudanças climáticas.

É preciso, nos próximos anos, revolucionar o mundo – a fim de que ele continue como está.

Fonte: IIASA
Imagem: Pixabay

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