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Candeia e candeinha ameaçadas pelo aquecimento

O aquecimento global representa uma ameaça para duas espécies de árvores endêmicas e ameaçadas de extinção do Cerrado e da Mata Atlântica brasileiros. A candeia-da-serra e a candeinha poderão enfrentar uma redução da área ideal para o seu crescimento no futuro, apontou estudo de cientistas brasileiros.

Uma das consequências do aquecimento global e das mudanças climáticas será a perda de biodiversidade. Em conjunto com a destruição ou fragmentação de habitats, as alterações no clima irão intensificar a ameaça sobre as espécies da fauna e da flora.

O estudo avaliou como as mudanças climáticas poderão interferir na distribuição geográfica de duas espécies do Cerrado e Mata Atlântica, a candeia – de nome científico Eremanthus erythropappus – e a candeinha – Eremanthus incanus.

A candeia está presente no Cerrado e na Mata Atlântica, geralmente em áreas com altitudes entre 700 e 2400 metros acima do nível do mar. Em especial, elas são encontradas em florestas secundárias tropicais sazonalmente secas da região costeira. Por sua vez, a cadeinha ocorre comumente no estado de Minas Gerais, em altitudes de 800 a 1850 metros, tanto no Cerrado quanto em florestas secundária e áreas semi-áridas.

Segundo o estudo, ambas as espécies tem sido exploradas desde o período colonial brasileiro. Devido à durabilidade em função da grande concentração de óleos essenciais, a candeia era aplicada como material de vedação e também pela indústria farmacêutica. A candeinha servia principalmente para a produção de cercas.

Para investigar os efeitos das mudanças climáticas sobre a candeia e a candeinha, os cientistas realizaram um mapeamento da distribuição e da diversidade genética das duas espécies. Através de um modelo computacional de nicho ecológico, eles simularam a distribuição das árvores no presente, no passado – desde o auge da última glaciação – e até o ano de 2070.

As projeções do futuro consideraram dois cenários, o primeiro de baixas emissões de gases de efeito estufa, e o segundo de altas emissões.

Mapa de distribuição da candeia no Brasil
Mapas de simulações da distribuição da candeia no Brasil. Em sentido horário, do alto à esquerda: distribuição durante o auge da última glaciação (a), há cerca de 6 mil anos atrás (b), em 2070 no cenário de altas emissões (c) e em 2070 no cenário de baixas emissões. Fonte: figura 3 do estudo.

Identificou-se que as populações de candeia se diferenciam geneticamente de acordo a região geográfica, com uma diferenciação entre aquelas da região norte e as da região centro-sul. Já a candeinha apresentou a mesma diversidade genética, independente da localização.

As simulações sugeriram que, durante o auge da última glaciação, ambas as espécies apresentavam uma distribuição geográfica mais ampla no Brasil. A alteração climática em direção ao atual período interglacial teria sido acompanhada de uma grande queda da distribuição da candeia e da candeinha.

Os dois cenários futuros de aquecimento global mostraram uma drástica redução da área de ocorrência da candeia e da candeinha até 2070. Os cientistas alertaram que essa redução diminuiria a diversidade genética das espécies, além de comprometer as funções que elas realizam no ecossistema – como para a infiltração de águas subterrâneas.

Eles recomendaram o desenvolvimento de políticas públicas de conservação, levando-se em conta atributos genéticos, a fim de garantir a viabilidade das espécies no futuro.

Mais informações: Rocha, Lucas Fernandes, et al. “Effects of climate changes on distribution of Eremanthus erythropappus and E. incanus (Asteraceae) in Brazil.” Journal of Forestry Research: 1-12.
Imagem: Flickr/Mauricio Mercadante – foto de candeinha

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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