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Calotas polares ameaçadas pelo aquecimento global

A estabilidade das calotas polares estará ameaçada se o aquecimento global ultrapassar 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, alertou estudo de um time internacional de cientistas. As consequências para o aumento do nível médio do mar seriam graves.

Localizadas na Antártica e na Groenlândia, as calotas polares armazenam um enorme volume de água na forma de gelo. Caso derretessem completamente, fariam o nível do mar subir em média mais de 70 metros.

Segundo o estudo, mesmo que o aquecimento global seja limitado a 2ºC até 2100 – correspondendo à meta mais elevada do acordo climático de Paris -, as calotas polares continuarão a derreter. Provavelmente, na mesma velocidade registrada na última década.

Mas as massas de gelo da Antártica e da Groenlândia podem responder ao aquecimento de forma não linear. Isso quer dizer que o avanço do aquecimento tem o potencial de desencadear processos internos da dinâmica das calotas polares.

A perda de volume se tornaria irreversível e apresentaria saltos e abruptas acelerações.

Atualmente, o nível do mar sobe cerca de 4 milímetros por ano e está se acelerando. Encontram-se por trás desse aumento a expansão térmica das águas do oceano – em função do acúmulo de calor -, o derretimento de geleiras em todos os continentes e o derretimento das calotas polares da Groenlândia e da Antártica.

O estudo ressaltou também que ainda há muitas incertezas no conhecimento científico a respeito da Groenlândia e da Antártica. Sobretudo no que tange à circulação atmosférica e às correntes oceânicas ao redor das duas calotas polares, e que exercem influência sobre as dinâmicas e o derretimento do gelo.

Dessa forma, as projeções futuras da perda de massa das calotas polares em cenários de aquecimento global superior 1,5°C seriam questionáveis.

Em escalas de tempo milenares, os cientistas apontaram que o conhecimento científico atual sugere que temperaturas na faixa entre 1,5ºC a 2ºC, ou em seu limiar, levarão a pontos de inflexão no derretimento das calotas polares.

No caso da Gronelândia, o motivo estaria associado à dinâmica do derretimento das geleiras. Na Antártica, acredita-se que setores da calota polar, especialmente na região oeste do continente, fiquem irreversivelmente instáveis.

A compreensão dessas respostas constitui em um avanço no conhecimento científico desde o último relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês -, publicado em 2013.

Cenários de altas emissões de gases de efeito estufa, portanto, trazem consigo o risco de perdas consideráveis no longo prazo – centenas a milhares de anos – das calotas polares. O nível do mar poderia subir vários metros, alagando pequenos países insulares e cidades costeiras em todo o mundo.

Um dos autores do estudo, o professor Frank Pattyn, da Universidade Livre de Bruxelas, afirmou que “limitar o aquecimento atmosférico global a 1.5ºC evitará surpresas a longo prazo provenientes de ambas as calotas polares e reduzirá significativamente o custo de adaptação, uma vez que o aumento global do nível do mar será limitado e não catastrófico ”.

Fonte: Universidade Livre de Bruxelas
Mais informações: Pattyn, Frank, et al. “The Greenland and Antarctic ice sheets under 1.5° C global warming.” Nature climate change (2018): 1.
Imagem: Flickr// Nasa Ice – fiorde na costa sudeste da Groenlândia

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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