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Biodiversidade de ilhas é vulnerável ao aquecimento

As ilhas constituem ecossistemas bastante vulneráveis aos efeitos do aquecimento global. Uma das possíveis consequências é a perda da biodiversidade de plantas, sugeriu estudo de pesquisadores de universidades da França e do Reino Unido.

Momentos de alteração de longo prazo do sistema climático ocorreram varias vezes na história da Terra. O planeta atravessou no passado distante tanto fases de resfriamento quanto fases de aquecimento.

O problema, alerta o estudo, é que as mudanças no passado se deram em geral ao longo de períodos muito longos. O aquecimento global em curso atualmente, por sua vez, concentra-se em um século ou menos – uma velocidade sem precedentes na história geológica terrestre. Uma das consequências se faz sentir sobre a biodiversidade.

Junto com outros fatores de pressão humana, o aquecimento e as mudanças climáticas tem provocado impactos na forma de perda de espécies e populações. Em especial, através da introdução de modificações diretas nos habitats naturais. A tendência continuará, à medida que avance o aquecimento.

A biodiversidade das ilhas apresenta uma característica particular. Segundo o estudo, por estarem espacialmente separadas e terem evoluído isoladamente, as ilhas abrigam uma grande taxa de espécies endêmicas. Ao mesmo tempo, a biodiversidade insular apresenta maior chance de extinção. Estima-se que 80% das extinções passadas foram de espécies de ilhas, que também respondem por um terço das espécies terrestres ameaçadas de extinção no presente.

Entre os elementos das mudanças climáticas que exercem pressão sobre a biodiversidade, dois dos principais são o aumento do nível médio do mar e a alteração das condições climáticas. O aumento do nível do mar poderá levar ao desaparecimento de ilhas inteiras, além de interferir em habitats por meios, entre outros, da intensificação de processos de erosão costeira ou da intrusão de água salina.

A alteração das condições climáticas inclui a maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como secas ou tempestades. Além disso, padrões sazonais ou de médio prazo, incluindo a temperatura e a chuva, estão igualmente sujeitos a modificações que interfiram nos habitats e condições ambientais.

Os mudanças climáticas variarão conforme o tamanho e a topografia de cada ilha, fundamentais para a conformação dos habitats locais. Um exemplo veio recentemente da Austrália. Uma espécie de roedor, que vivia em uma ilha no nordeste do país, foi considerada extinta. Os cientistas apontaram o aumento do nível médio do mar, a intensificação de tempestades e o pequeno tamanho da ilha como os culpados.

Mas a pesquisa científica a respeito dos impactos do aquecimento global e das mudanças climáticas na biodiversidade das ilhas ainda está dando os primeiros passos. Os pesquisadores buscaram avaliar os possíveis impactos em um grupo de plantas, com distribuição mundial e alta riqueza de espécies e endemismo em ilhas.

O estudo abrangeu 1.497 gêneros presentes em 5.565 ilhas ao redor do planeta. Foi estimado a possível perda de biodiversidade das plantas, considerando-se as características das ilhas e a influência do aumento do nível do mar e de alterações na temperatura e nas chuvas.

Identificou-se que a perda ilhas em função do aumento do nível do mar representaria, em nível global, uma perda absoluta relativamente baixa da diversidade das plantas. Em geral, as ilhas mais vulneráveis consistiam também naquelas de menor biodiversidade.

Contudo, o estudo identificou que, nas ilhas mais vulneráveis, as extinções seriam maiores do que em condições sem mudanças climáticas. A comunidade de plantas das ilhas estariam estruturadas em ramos longos, com interações entre diferentes espécies.

Com isso, se em nível global a perda de diversidade se mostrou baixa, o contrário se verificou no nível local. A perda de diversidade projetada para cada ilha vulnerável foi significativamente alta. A hipótese levantada pelos pesquisadores é de que os impactos do aumento do nível do mar e das alterações da temperatura e das chuvas se estenderia sobre todo o ramos de espécies da ilha, trazendo um possível colapso da diversidade das plantas.

Os efeitos do aquecimento global e das mudanças climáticas serão cada vez mais uma realidade. A fim de se preparar para o futuro, o estudo recomendou como primeira medida analisar a vulnerabilidade de cada ilha, explorando as possíveis as conseqüências na biodiversidade.

Mais informações: Veron Simon, Mouchet Maud, Govaerts Rafaël, Haevermans Thomas & Pellens Roseli2019 — Vulnerability to Climate Change of Islands Worldwide and Its Impact on the Tree of Life. Scientific reports.
Imagem: adaptado da figura 1 do estudo – mapa de vulnerabilidade às mudanças climáticas das ilhas avaliadas. A escala vai de baixa vulnerabilidade (cor verde) à muito alta (cor vermelha)

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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