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Bagaço da cana como alternativa energética

O uso do bagaço da cana-de-açúcar para geração de eletricidade representa uma potencial alternativa para a mitigação do aquecimento global pelo Brasil. Ele poderia substituir a geração baseada no uso de diesel, identificou estudo de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba.

Se a média mundial de fornecimento de energia renovável foi de cerca de 14% em 2016, no Brasil ela respondeu por 43,5% do total. Mas nas últimas décadas, iniciativas do governo estimularam a instalação de termelétricas a partir de combustíveis fósseis, mais poluentes e caras.

Por outro lado, o estudo ressaltou os compromissos brasileiros de redução das emissões de gases de efeito estufa, assumidos no âmbito do acordo climático de Paris. Com isso, o país também procurou incentivar a implantação de fontes renováveis de energia, como as usinas eólicas.

Uma das alternativas é a utilização de biomassa para geração de energia elétrica. O maior potencial de uso em curto e médio prazo é o bagaço da cana-de-açúcar, atualmente a terceira maior fonte de eletricidade no país, respondendo pela produção de 35,2 TWh em 2016.

De acordo com o estudo, a energia baseada no bagaço da cana-de-açúcar traz diversas vantagens. Ela complementa a geração de hidrelétricas, pois a colheita e, portanto, a geração de eletricidade ocorre nos meses de estiagem. Ela também pode ser implementada próxima aos centros consumidores e ser facilmente incorporada às linhas de produção de usinas de cana-de-açúcar.

Para determinar a pegada de carbono da eletricidade a partir de termelétricas movidas a bagaço da cana-de-açúcar, os pesquisadores compararam o ciclo de vida dessa fonte com o ciclo de vida da geração de energia por termelétricas à diesel. Puderam então calcular o potencial da energia do bagaço da cana-de-açúcar em mitigar o aquecimento global.

No caso da biomassa, as atividades produtivas responsáveis pelos maiores volumes de emissão de gases de efeito estufa foram o transporte, a irrigação, os fertilizantes e a colheita. Para o diesel, a maioria das emissões se concentravam durante a etapa de operação.

Os resultados apontaram uma pegada de carbono da geração de eletricidade a partir do diesel bem superior à do bagaço da cana-de-açúcar. Enquanto que a primeira corresponderia a 1,060 kg CO2-eq / kWh, a da cana totalizou 0,227 kg CO2-eq / kWh. Se uma térmica à base de diesel fosse substituída por uma térmica baseada em bagaço, evitaria emissões da ordem de 0,833 kg CO2-eq / kWh.

Apesar de atualmente implementada no Brasil, a geração termelétrica a partir do bagaço tem um grande potencial de aprimoramento. Melhorias incluem a instalação de sistemas de conversão de energia mais eficientes, a recuperação de resíduos da cana-de-açúcar, ou o ajuste do manejo agrícola.

Um amplo programa de substituição de combustíveis, a fim de explorar todo o potencial da cana-de-açúcar e diminuir o uso de combustíveis fósseis, contribuiria nos esforços brasileiros de mitigação.

Mais informações: Carvalho, Monica, et al. “Carbon footprint of the generation of bioelectricity from sugarcane bagasse in a sugar and ethanol industry.” International Journal of Global Warming 17.3 (2019): 235-251. Pode ser acessado em research gate.
Imagem: Flickr/ Cícero R. C. Omena

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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