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Aumento de temperatura causado pelo CO2 no passado põe em dúvida projeções do aquecimento global

A concentração de dióxido de carbono – CO2 – durante um período intenso de calor no passado terrestre pode ter sido a metade do nível previamente estimado, afirma estudo de cientistas dos Estados Unidos. A descoberta traz implicações importantes para a projeção do aquecimento global, pois sugere que o sistema climático pode ser mais sensível do que o previsto ao aumento do CO2.

O estudo investigou um período no passado geológico da Terra mais quente do que o presente. Denominado de Eoceno, entre 54 e 48 milhões de anos atrás, ele se caracteriza por uma configuração ligeiramente diferente dos continentes, das cadeias de montanhas e dos oceanos. Fósseis de plantas e animais que viveram nesse período, e ligados a habitats quentes, foram encontrados em regiões de altas latitudes.

Havia pouco ou nenhum gelo nos pólos. Reconstruções estimam que a temperatura média global era entre 9 e 14°C mais alta do que no presente. Estimava-se a concentração atmosférica do COentre 1.000 e 2.000 partes por milhão – ppm, o que seria 2,5 a 5 vezes superior às concentrações atuais, da ordem de 400 ppm. 

O período também foi marcado por múltiplos eventos de aquecimento global de curto prazo (em termos geológicos), conhecidos como hipertermais. Tais eventos se destacam por um aumento da concentração atmosférica de CO2 e das temperaturas médias globais entre 2 e 8°C acima do registrado no período.

Informações a respeito do Eoceno são obtidas através de sedimentos marinhos e terrestres que datam do período. Mas os dados produzidos a partir de sedimentos marinhos variavam em certa medida em comparação com dados de sedimentos terrestres. Os cientistas buscaram integrar as diversas fontes através de um novo método de análise físico-química dos isótopos de carbono presente nos sedimentos.

Através do novo método, os cientistas detectaram a proporção de isótopos carbono-12 em relação ao isótopo carbono-13 nas amostras dos diferentes sedimentos. Dessa forma, foi possível reconstruir a concentração atmosférica do Eoceno. Os resultados indicaram concentrações médias de CO2 entre 463 e 806 ppm, de acordo com o cenário considerado.

Somente nos eventos hipertermais, as concentrações ultrapassaram o patamar de 1.000 ppm. A partir da análise dos sedimentos, o estudo sugere que esses eventos foram provocados pelo derretimento dos solos congelados – permafrost, em inglês.

Zonas de solos congelados guardam uma grande quantidade de carbono nos solos, que é liberado para a atmosfera na forma de gás quando derretem. Não foi possível identificar, no entanto, o que causou o aquecimento das regiões de solos congelados.

De acordo com os cientistas, o estudo representa um alerta a respeito da relação entre concentração atmosférica de CO2 e a temperatura média global do planeta. O acordo climático de Paris está baseado, por exemplo, na premissa de uma relação linear entre as concentrações e o aumento da temperatura. A premissa pode estar errada.

Mais informações: EurekAlert  e NOAA
Imagem: Flickr US Geological Survey – erosão em área costeira de solos congelados

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