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Aumento do nível do mar afeta propriedades rurais

O aumento do nível médio do mar está usualmente associado à possíveis impactos sobre as cidades litorâneas ou à erosão costeira. Mas é a propriedade rural que poderá ser a principal prejudicada, ressaltou estudo de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos.

Uma dos indicadores do aumento do nível do mar é o surgimento de florestas fantasmas, nas quais a submergência da terra, devido à intrusão da água do mar, cria ambientes úmidos e leva à mortalidade de árvores.

O estudo realizou uma revisão da literatura científica sobre o assunto. Identificou que, em todo mundo, florestas de terras baixas costeiras estão recuando. A alteração tem importância ecológica e econômica, sendo relevante para a sobrevivência das zonas costeiras úmidas frente ao aumento do nível do mar.

Em regiões do Atlântico central, a velocidade com que a floresta recua para o interior se tornou duas vezes maior do que há 150 anos. Nos Estados Unidos, o fenômeno se estende por áreas cada vez maiores. Para a região do Golfo do México, projeta-se que o total de terras costeiras que irão se converter em pântanos e mangues será quase três vezes maior do que as zonas úmidas existentes hoje.

Vários fatores estão envolvidos na transformação de terras rurais costeiras em zonas úmidas. Entre elas, a taxa de aumento do nível do mar, a declividade do terreno, a amplitude local das marés, os fluxos de sedimentos, a tolerância ao sal das espécies vegetais e a infraestrutura humana.

As estratégias de adaptação às mudanças irão exigir decisões difíceis de agentes públicos e proprietários rurais, alertaram os cientistas. Eles realizaram três recomendações. A primeira é avaliar a infraestrutura de contenção da água do mar. Deve-se detalhar a eficiência da intervenção e seus custos, a fim de se comparar com as alternativas de restauração ou de abandono das terras rurais.

A segunda recomendação é o estudo de outras alternativas econômicas para o uso da propriedade. Por exemplo, a adoção de culturas tolerantes ao sal marinho, o arrendamento das terras para práticas esportivas e turísticas, ou a exploração sustentável de madeira.

Se a diminuição da terra rural representa uma perda para o proprietário, ela traz ganhos para o ecossistema, e pode ser de interesse público. Com isso, o proprietário poderia compensar os danos econômicos causadas pela intrusão da água do mar.

A última recomendação inclui o desenvolvimento de políticas públicas direcionadas à adaptação dos ambientes costeiros. Um exemplo seria o desenvolvimento de instrumentos financeiros de apoio ao proprietário rural, a fim de promover a melhor reconfiguração possível do ambiente costeiro.

Não há como vencer a batalha contra a água. E as escolhas entre defender ou abandonar as terras baixas costeiras aos impactos do aumento do nível do mar irão ter um papel central no futuro do ambiente costeiro e das pessoas que nele vivem.

Fonte: Virginia Instituto de Ciência Marinha
Mais informações: Kirwan, M.L. and K.B. Gedan, 2019. Sea-level driven land conversion and the formation of ghost forests. Nature Climate Change, 9(6): p. 450-457. 10.1038/s41558-019-0488-7
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