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As regiões de solos congelados à beira do colapso

A região dos solos congelados está atravessando um processo de rápidas mudanças, alerta pesquisadora da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Ocupando quase um quinto da massa terrestre do Hemisférios Norte, a região de solos congelados – permafrost, em inglês – é formada por terra que foi congelada a milhares de anos. Mas devido ao aquecimento global, em diversos lugares ela apresenta sinais de derretimento acelerado.

O processo de degradação e derretimento em maior escala dos solos congelados pode se tornar irreversível em breve. A pesquisadora indica que essa severa alteração da paisagem do Ártico tornará o aquecimento global ainda mais intenso. Isso porque os solos congelados contém uma grande quantidade de matéria orgânica. A degradação e derretimento dos solos estimulará a decomposição bacteriana, liberando o gás metano – CH4 -, um potente gás de efeito estufa.

Para melhor compreender o que está acontecendo com os solos congelados, é preciso considerar a história do planeta. De acordo com o artigo, nos últimos dois milhões de anos, o sistema climático terrestre iniciou um regime de ciclos periódicos entre longos estados glaciais, de frio, e intervalos mais breves interglaciais, de calor. O atual período interglacial teve início há aproximadamente 11 mil anos atrás.

O ciclo é controlado por mudanças na órbita e na inclinação axial da Terra, que trazem pequenas modificações na distribuição da energia solar pelas latitudes. Essas pequenas variações são amplificadas por respostas internas do sistema climático, como, por exemplo, a expansão de calotas polares e do gelo marinho, a alteração em padrões de circulação dos oceanos, ou a variação na concentração de gases de efeito estufa.

Durante os estados glaciais, grandes calotas de gelo se formam sobre a América do Norte, o norte da Europa e da Ásia. Essa massa de gelo derrete durante os estados interglaciais. Por causa do frio intenso, as glaciações também formam regiões de solos congelados, que continuaram congelados ao longo de diversos ciclos interglaciais até o presente. A camada superficial do próprio solo funciona como um isolante, impedindo seu derretimento.

Evidências geológicas indicam que o últimos processo de derretimento em larga escala dos solos congelados do Ártico se deu quatro interglaciais atrás, há cerca de 450 mil anos no passado. Estima-se que a temperatura média global era cerca de 1,5°C maior do que os níveis pré-industriais. A pesquisadora ressalta que o a temperatura atual é aproximadamente 1°C maior do que os níveis pré-industriais, e tem subido em taxas sem precedentes em mais de 50 milhões de anos de história geológica.

As consequência do aquecimento tem sido detectadas nos solos congelados do Ártico. Especialmente em zonas de latitudes mais baixas, a espessura da camada superior que descongela no verão aumentou significativamente entre 2009 e 2015.  Em alguns pontos de monitoramento , observa-se que o calor está penetrando em camadas cada vez mais profundas.

O derretimento dos solos pode levar ao colapso do terreno, formando crateras ou lagos denominados de thermokarst. No Alasca e na região ártica do Canadá, verifica-se um acelerado surgimento de thermokasts. Na Sibéria, Rússia, grande número de crateras estão aparecendo. Medições de metano na região dos solos congelados e nas plataformas continentais submarinas indica um aumento das emissões.

A pesquisadora afirma que o Ártico ultrapassou, ou está muito próximo de ultrapassar, o ponto a partir do qual as transformações são inevitáveis e irreversíveis. E as projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês-, não levam em consideração a influência da degradação dos solos congelados. Dessa forma, as projeções do IPCC podem subestimar o aquecimento global futuro.

Os objetivos do acordo climático de Paris não são suficientes, afirma o artigo. É preciso agir de forma imediata para a mitigação das emissões dos gases de efeito estufa. Só assim, talvez se consiga evitar uma maior degradação das regiões de solos congelados e suas graves consequências.

Fonte: Yale Climate Connections
Imagem: Flickr/ UBC Micrometeorology – área de solos congelados degradada no Canadá

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