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As mudanças que estão acontecendo no topo do mundo

A Islândia é conhecida como a terra do fogo e do gelo, por causa de presença de vulcões e de geleiras. Localizado entre a Europa e a Groenlândia, próxima do circo polar Ártico, no Atlântico Norte, o país é formado por uma ilha um pouco maior que o estado de Pernambuco, contando com uma pequena população de cerca de 330.000 habitantes.

Por causa da amplificação do aquecimento global na região dos pólos, a Islândia atravessa um período de significativa mudança climática. Uma das principais atrações turísticas do país, o lago de Jökulsárlón começou a se forma na década de 1930, por causa da retração da geleira de Vatnajökull. Jökulsárlón foi convertido em reserva natural, e hoje é o lago mais fundo da Islândia, aumentando anualmente em extensão.

A geleira de Vatnajökullos (grande área azul clara da imagem acima), a maior em volume da Europa, fica no sudoeste do país. Possui aproximadamente 8.100 quilômetros quadrados e sua espessura pode chegar a 400 metros. Ela está diminuindo de tamanho, e cientistas estimam que, caso o ritmo atual se mantenha, poderia desaparecer em 200 anos.

Essa tendência tem sido observada em todas as geleiras da Islândia, em uma taxa sem precedentes e que está se acelerando. Durante o século XX, aproximadamente 10% do gelo da Islândia desapareceu, seguido de outros 3% apenas na primeira década do presente século. Os cientistas atribuem o derretimento em grande parte ao aumento das temperaturas, especialmente no verão. A alteração ocorrida com as geleiras pode trazer implicações aos padrões atmosféricos, aos fluxos de água, à flora e fauna, e à atividade vulcânica.

As geleiras também constituem uma fonte crucial de água e energia para o país. Algumas das maiores usinas de energia da Islândia são hidrelétricas que aproveitam o fluxo de rios alimentados pelas geleiras. Com o derretimento, o volume de água passando pelas hidrelétricas também aumentou, mas o fluxo deverá diminuir até o final deste século.

Em função da perda de massa do gelo, a carga sobre a crosta terrestre diminui e esta se ergue. Partes do centro-sul da Islândia tem registrado aumento de nível da crosta de cerca de 3,5 cm por ano devido à retração do gelo. Outro exemplo é a cidade portuária de Hafn, onde a crosta terrestre se eleva cerca de 1 cm por ano. Isso significa que o nível do mar lá está diminuindo.

Outro efeito do derretimento das geleiras é sobre o vulcanismo. A mesma pressão exercida pelas geleiras sobre a crosta terrestre também influencia os sistemas vulcânicos. Com a diminuição da pressão, prevê-se um aumento da atividade vulcânica na Islândia. Isso, por sua vez, poderia promover uma aceleração do nível de derretimento, além de causar inundações de grandes proporções.

Apesar das mudanças, a Islândia ainda não conta com uma estratégia nacional para se adaptar às mudanças climáticas. Um programa está em fase de elaboração junto à Organização Internacional de Meteorologia, incluindo ações como a avaliação da alteração no curso dos rios.

Fonte: SABC News
Imagem: Geology.com – imagem de satélite da Islândia

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