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As mudanças climáticas impactam a Amazônia

Em respostas às mudanças climáticas, está ocorrendo uma lenta alteração na composição da floresta amazônica, favorecendo espécies melhor adaptadas a condições mais áridas. A descoberta foi realizada por estudo de um time de mais de 100 cientistas brasileiros e internacionais.

A maior biodiversidade do planeta se concentra nas florestas tropicais – estima-se que a Amazônia contenha entre 6.000 e 16.000 espécies de árvores. As florestas tropicais também possuem, de acordo com o estudo, as maiores reservas de carbono vivo do que qualquer outro bioma.

Prevê-se que as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global devem levar a profundas alterações nas comunidades florestais e nos processos ecossistêmicos. A biomassa e a produtividade da floresta podem ser comprometidos, por exemplo, em função da elevação da temperatura ou da intensificação das secas.

Os impactos nas florestas tropicais terão consequências globais.

Nas últimas décadas, a Amazônia tem experimentado condições climáticas mais extremas. Entre as transformações registradas, inclui-se o prolongamento da estação seca e de sua intensidade. A precipitação ficou mais forte na estação chuvosa, mas diminuiu em média nas regiões sul e sudeste da bacia amazônica.

A floresta experimentou três eventos de secas extremas em uma década e vários episódios de grande escala de chuvas. Temperaturas mais altas provavelmente aumentaram o estresse evaporativo sazonal.

Outro fator de influência sobre as florestas tropicais é o aumento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2. As maiores concentrações estimulam o crescimento das plantas. O uso de água pelas plantas pode se tornar mais eficiente, o que aliviaria o impacto de uma maior aridez.

Pesquisas anteriores registraram modificações na estrutura e na dinâmica de florestas tropicais antigas devido às alterações das condições climáticas. Mas havia poucos levantamentos a respeito de modificações na composição e espécies dos ecossistemas tropicais.

O objetivo do estudo foi investigar se a composição de espécies de árvores da Amazônia sofreu alterações em resposta às interferências no ambiente, inclusive de mudanças climáticas. Os cientistas analisaram registros da composição florística de 106 parcelas de florestas intactas de terras baixas da bacia amazônica. Os dados correspondiam a inventários abrangendo os últimos 30 anos.

Gráfico e mapa mudanças climáticas na Amazônia
Tendências no déficit acumulado máximo de água em toda a Bacia Amazônica. As tendências lineares anuais por parcela são apresentadas em forma de gráfico (a) e mapa (b). Fonte: adaptado da figura 2 do estudo.

As evidências apontaram que uma possível transformação na composição da floresta amazônica está em curso. Em especial nas áreas mais afetadas pelo estresse hídrico, subiu a mortalidade de árvores associadas à condições climáticas mais úmidas.

Por outro lado, cresceu na bacia a brotação de espécies melhor adaptadas a condições mais secas. Com isso, verificou-se um crescimento na abundância de gêneros de árvores tolerantes à seca em toda a Amazônia. Segundo o estudo, isso poderia ser um sinal de que a floresta está se adaptando à condições climáticas de menor umidade.

Caso as condições mais secas continuem, a modificação florística observada poderá ocorrer em grau suficiente para aumentar a resiliência da floresta amazônica às secas futuras. Todavia, ela representaria também uma grande perda de biodiversidade, uma vez que a maioria das espécies atuais dependem de condições úmidas.

Além disso, o estudo alertou que a alteração florística toma mais tempo do que a velocidade das mudanças climáticas. Em um cenário no qual a tendência de intensificação de condições mais secas persista, as espécies de árvores da floresta amazônica enfrentarão cada vez mais condições climáticas para as quais não estão apropriadamente adaptadas.

Em tal cenário, o estudo alertou que ficaria reduzida a capacidade da Amazônia de prover serviços ecossistêmicos essenciais, como a manutenção da biodiversidade ou o sequestro de carbono.

Mais informações: Esquivel‐Muelbert, A., Baker, T. R., Dexter, K. G., Lewis, S. L., Brienen, R. J., Feldpausch, T. R., … & Higuchi, N. (2018). Compositional response of Amazon forests to climate changeGlobal change biology.
Imagem: Flickr/ Vihh

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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