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Ártico mais quente do que nos últimos 115 mil anos

Em partes do Ártico canadense, o gelo que cobria a superfície durante pelo menos os últimos 40 mil anos derreteu devido ao aquecimento global. No século passado, a região experimentou os verões mais quentes dos últimos 115 mil anos, apontou estudo de um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos.

As geleiras do Ártico, em especial na parte leste do Canadá, atravessam um processo de recuo acelerado. O processo de perda de massa das geleiras do Ártico tem origem predominantemente no aumento das temperaturas.

Segundo o estudo, em função do fenômeno da amplificação polar, o aquecimento durante o verão no Ártico tem sido significativamente maior do que a média global registrada nas últimas décadas.

Para compreender melhor a interferência atual aquecimento global, uma das alternativas é estudar o comportamento das geleiras do Ártico nos últimos milênios. Informações a respeito do passado são obtidas através de registros paleoclimáticos.

Em 30 geleiras localizadas no leste do Ártico canadense, os pesquisadores coletaram fósseis de plantas da tundra e sedimento rochoso. Ao combinar a datação por radiocarbono das plantas com a análise química dos sedimentos, eles puderam reconstruir o avanço e a retração das geleiras nos últimos 40 mil anos.

Os dados obtidos indicaram que as áreas das geleiras que foram expostas pelo presente aquecimento estiveram cobertas de gelo desde pelo menos 40 mil anos.

Mesmo durante o máximo térmico do Holoceno, quando a radiação solar no verão Ártico era 9% maior do que no presente – devido ao ciclo de Milankovitch -, as áreas permaneceram cobertas de gelo.

Temperaturas semelhantes ao presente foram observadas na região somente a aproximadamente 115 mil anos, durante o último período interglacial. Nesse sentido, os pesquisadores sugeriram que as temperaturas modernas representam o século mais quente em 115 mil anos.

A tendência de derretimento do gelo continuará nos próximos séculos, mesmo se não houvesse aquecimento adicional no verão no futuro.

Mais informações: Pendleton, Simon L., et al. “Rapidly receding Arctic Canada glaciers revealing landscapes continuously ice-covered for more than 40,000 years.” Nature Communications 10.1 (2019): 445.
Imagem: Adaptado da Figura 1 do estudo – imagem de satélite da área de estudo e pontos de amostragem

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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