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Ártico, fonte de emissões de óxido nitroso

A região dos solos congelados do Ártico pode representar uma importante fonte de emissão de óxido nitroso – N2O, um potente gás de efeito estufa. O alerta foi dado por estudo de um grupo de cientistas dos Estados Unidos.

Produzido pela atividade microbiana dos solos, acreditava-se que as emissões de óxido nitroso na região eram insignificantes. Supunha-se que os solos congelados do Ártico possuíam pequena capacidade de produção do gás.

As latitudes mais altas apresentariam uma limitação de nitrogênio, um dos compostos do óxido nitroso, sendo biogeoquimicamente inativas – por causa do frio – em relação aos trópicos. As principais fontes de emissões seriam as áreas agrícolas, devido ao uso intensivo de fertilizantes, e as zonas tropicais.

Segundo o estudo, considera-se o óxido nitroso como o terceiro mais influente gás de efeito estufa emitido pelas atividades humanas, atrás do dióxido de carbono – CO2 – e do metano – CH4. No presente, ele também consiste na principal substância responsável pela redução da camada de ozônio da atmosfera.

Quanto ao aquecimento global, estima-se que o N2O seja quase 300 vezes mais potente do que o CO2. Dessa forma, o sistema climático é mais sensível a alterações nas concentrações do óxido metano, em comparação com alterações nas concentrações atmosféricas do CO2 e do metano.

O ambiente Ártico tem experimentado uma grande transformação em resposta ao aquecimento global. Uma delas diz respeito ao derretimento acelerados dos solos congelados, que ocupam aproximadamente um quarto de todo o hemisfério norte. Mas não se realizava o monitoramento de emissões do N2O.

Contudo, análises de campo recentes, na Rússia e na Finlândia, identificaram diversas formações geológicas na região com o potencial de emissão do gás nas mesmas proporções de solos localizados nos trópicos. Caso o derretimento dos solos congelados do Ártico resulte em emissões de óxido nitroso, isso elevará as concentrações atmosféricas, intensificando ainda mais o efeito estufa e acelerando o aquecimento global.

A fim de verificar se os solos congelados poderiam emitir o N2O em quantidades significativas, os cientistas executaram um levantamento aéreo de uma área de 310 quilômetros quadrados do Alasca, no extremo norte dos Estados Unidos. Durante o mês de Agosto, durante o verão ártico, coletaram dados dos fluxos de óxido nitroso no ar, um indicador de emissões provenientes dos solos.

Observou-se uma grande variação espacial nas emissões do óxido nitroso. Todavia, as emissões médias do gás, entre 0.04–0.09 g m−2 por dia, foram extraordinariamente superiores ao esperado. Ao contrário do que estabelecia a visão tradicional, os resultados do monitoramento aéreo sugerem que os solos congelados, no verão, emitem N2O em níveis significativos.

O estudo ressaltou que o levantamento ainda é preliminar, uma vez que abrangeu uma fração muito pequena do Ártico. Mais pesquisa deve ser realizada, de modo a verificar com maior certeza o potencial de emissões de óxido nitroso pelos solos congelados.

Caso se confirme que as emissões de N2O seja significativas, as implicações para o aquecimento global podem ser graves. Espera-se que o Ártico continue a atravessar mudanças aceleradas no futuro próximo. E, dessa forma, a emissões cada vez maiores de óxido de nitroso, com consequências para as mudanças climáticas de magnitude ainda não avaliada.

Mais informações: Wilkerson, Jordan, et al. “Permafrost nitrous oxide emissions observed on a landscape scale using the airborne eddy-covariance method.” Atmospheric Chemistry and Physics 19.7 (2019): 4257-4268.
Imagem: figura 1 do estudo – avião e equipamento de monitoramento do ar

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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