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Áreas de proteção marinha insuficientes para a conservação

O sistema brasileiro de áreas de proteção marinha é insuficiente para promover a proteção da biodiversidade. Estudo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE – alertou que as áreas existentes não aumentam a resiliência dos organismos marinhos e precisa ser expandida.

Os recifes de coral da costa brasileira e das ilhas oceânicas do Atlântico Sul se caracterizam pela alta taxa de endemismo – quando uma espécie ocorre exclusivamente em determinada região geográfica. O motivo, segundo o estudo, diz respeito às vastas distâncias do Atlântico, a barreiras naturais, e ao isolamento de algumas áreas, como as ilhas.

Registra-se uma tendência global de perda os habitats de recifes de coral. A fauna de peixa também sofre a pressão da sobrepesca. Uma das alternativas de conservação é por meio das áreas marinhas protegidas. No Brasil, até recentemente, elas representavam cerca de 1,5% da área da Zona Exclusiva Econômica Brasileira.

O governo brasileiro expandiu a cobertura das áreas de proteção marinha, que passaram para 25% da Zona Exclusiva Econômica Brasileira – a Convenção sobre Diversidade Biológica recomenda um mínimo de 10% até 2020.

Todavia, o sistema de áreas de proteção marinha apresenta um desequilíbrio em termos de metas de proteção, usos e categorias de manejo. Menos de 1% delas constituía áreas de exclusão. Além disso, a eficácia do sistema depende do conhecimento de três fatores: a biodiversidade, a conectividade entre diferentes regiões, e os potenciais impactos das mudanças climáticas.

Os pesquisadores investigaram a conectividade demográfica de áreas de proteção marinha ao redor das ilhas oceânicas e das plataformas continentais do norte e leste do Brasil. Para tanto, eles analisaram a variabilidade sazonal e anual das taxas de mortalidade e recrutamento de peixes do gênero Sparisoma.

Além de levantamentos de dados locais, o estudo utilizou modelos computacionais a fim de simular as condições do oceano – incluindo, por exemplo, temperatura, salinidade ou correntes marinhas – e a dispersão de larvas dos peixes.

Mapa de zonas de recrutamento e areas de proteção marinha do Brasil
O mapa traz as áreas de proteção marinha avaliadas pelo estudo (cor amarela). Os trechos destacados nas demais cores indicam locais de recrutamento de peixes. As setas pretas representam as principais correntes oceânicas do Atlântico Sul. Fonte: figura 5 do estudo.

Os resultados do modelo sugeriram que as áreas de proteção marinha avaliadas possuem uma conectividade extremamente baixas. As longas distâncias entre elas contribuem para que se tornem isoladas uma das outras.

Dessa forma, elas não cumpririam o objetivo de manter conexões entre populações de peixes do gênero Sparisoma presentes em diferentes regiões. É um indicador de que não cumprem o objetivo para outras espécies de peixe dos recifes de coral da costa brasileira.

Uma das principais limitações na eficácia das áreas de proteção marinha se deu porque se identificou que o recrutamento dos peixes se dava em diversos trechos da costa brasileira. Nesse sentido, o estudo recomendou a criação de novas áreas em pontos de recrutamento dos peixes.

A expansão do sistema de áreas de proteção marinha, de forma a incluir esses locais, manteria a conectividade e contribuiria para a eficácia da conservação dos peixes de recife de coral.

Mais informações: Endo, C. A. K., Gherardi, D. F. M., Pezzi, L. P., & Lima, L. N. (2019). Low connectivity compromises the conservation of reef fishes by marine protected areas in the tropical South Atlantic. Scientific reports9(1), 8634.
Imagem: Figura 7 do estudo – áreas de proteção marinha analisadas (quadrados de cor rosa) e estações de monitoramento do oceano utilizadas nos modelos (triângulos laranjas)

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