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Aquíferos secos, um legado das mudanças climáticas

Aquíferos secos poderão ser um dos legados das mudanças climáticas para as próximas gerações, apontou estudo de um grupo internacional de pesquisadores.

As águas subterrâneas representam a maior reserva de água doce do mundo e abastecem cerca de dois bilhões de pessoas. Elas são vulneráveis aos efeitos negativos das mudanças climáticas, que irão se fazer sentir no longo prazo.

Os recursos hídricos subterrâneos estão ligados ao ciclo hidrológico. De um lado, a água das chuvas constitui a fonte de recarga dos aquíferos e do lençol freático. De outro lado, a água subterrânea flui na direção de lagos, córregos e para os oceanos.

Os níveis de água dos recursos hídricos subterrâneos depende, portanto, do equilíbrio entre a recarga e a perda de água. Ao retirar água dessas fontes, o consumo humano interfere no equilíbrio entre a recarga e a perda.

As mudanças climáticas podem interferir diretamente no equilíbrio dos aquíferos e águas subterrâneas pela alteração do padrão das chuvas. Se a precipitação diminuir, os níveis da água cairão.

Daí a importância em compreender melhor as interações no espaço e no tempo entre as águas subterrâneas e o clima. No entanto, de acordo com o estudo, ainda se observam limitações no entendimento atual da sensibilidade dos sistemas de águas subterrâneas às mudanças climáticas em escala global.

Para examinar essa questão, os pesquisadores combinaram um modelo computacional de água subterrânea com séries de dados hidrológicos. O objetivo foi examinar as escalas de tempo que os sistemas de água subterrânea levavam para responder às alterações climatológicas.

Em mais da metade dos sistemas de águas subterrâneas do mundo, os aquíferos e águas subterrâneas demorariam por volta de 100 anos para se adequar às mudanças climáticas. Dessa forma, eles respondem bem mais lentamente do que os corpos d’água superficiais.

A consequência é que as modificações nos fluxos das águas subterrâneas provocam ajustes duradouros, de longo prazo. Impactos na recarga registrados no presente afetarão os níveis e a perda de água dos aquíferos muito tempo depois.

Corresponderia a uma bomba-relógio ambiental, afirmou um dos pesquisadores.

O estudo identificou que áreas onde os lençóis freáticos são mais sensíveis às variações na recarga também apresentam os maiores tempos de resposta. No caso de regiões áridas, os fluxos de águas subterrâneas se mostraram menos sensíveis às alterações climáticas do que em regiões úmidas.

Nesse sentido, torna-se imprescindível planejar e implementar medidas de adaptação, considerando-se as características particulares de cada sistema de águas subterrâneas. A adaptação pode minimizar os impactos das mudanças climáticas em muitas regiões.

Mas, caso não se avalie corretamente o tempo de resposta do sistema, as medidas de adaptação correm o risco de gerar o resultado oposto, promovendo no longo prazo os efeitos negativos humanos e climáticos sobre os fluxos dos rios e águas subterrâneas.

Fonte: Universidade de Cardiff
Imagem: Flickr/ Upsolon

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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